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terça-feira, 25 de agosto de 2015

O ostomizado e o preconceito

Christiane e Cláudia Yamada

“Preconceito é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, culturas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos"”.

Muitas pessoas, depois que fazem a cirurgia de ostomia, sofrem preconceito da própria família, dos amigos, de desconhecidos e até dele próprio. E isto acontece pelo fato da ostomia não ser divulgada na mídia, o que faz com que a sociedade não tenha um conhecimento sobre o que é ostomia. Sendo assim, a população dispõe de poucas informações para entender que quando uma pessoa fica ostomizada, ela pode ter uma vida normal, igual a qualquer outra pessoa.

Muitas vezes, o portador de uma ostomia sofre com o preconceito, pelo fato de, em algumas ocasiões, precisarem de alguns cuidados especiais, principalmente após a cirurgia. Porém, nada impede que ele volte a sua rotina e tenha uma vida normal de afazeres após a sua recuperação, apenas tomando alguns cuidados, como por exemplo, cuidado ao pegar peso, cuidado para não bater o estoma, cuidados para evitar a formação de hérnias...

O preconceito contra quem precisa deste artifício para sobreviver, muitas vezes, faz com que ele tenha uma drástica mudança em suas relações sociais, no lazer, no trabalho e no cotidiano familiar, pois ao perceber a discriminação, ele se afasta antecipadamente desse constrangimento, para evitar sentimento de pena e reações de aversão.  E esse isolamento social pode gerar reações emocionais como ansiedade, vergonha, depressão e medo de rejeição. Por isso muitos ostomizados preferem manter secreta a sua ostomia, para evitar o preconceito.

Será que existe algum motivo para uma pessoa sofrer algum tipo de preconceito? Não! Independente de raça, sexo, condição financeira, estatura, peso, deficiente visual, auditivo ou físico...E uma pessoa ostomizada? Também não! A única diferença entre uma pessoa ostomizada e uma pessoa não ostomizada é o local por onde são eliminadas as fezes e/ou a urina, que é em uma bolsa de ostomia acoplada ao abdômen. Fora isso, somos todos iguais!!!!

As pessoas não precisam ter medo de tocar em uma pessoa ostomizada, pois a ostomia é uma cirurgia e não uma doença, portanto você não “pega” ostomia. Hoje em dia, os materiais de ostomia são de ótimas qualidades e se o ostomizado fizer uma higiene adequada da sua bolsa, ela não exala odor e os gases também não exalam cheiro, portanto ninguém precisa ter “nojo” de uma pessoa ostomizada.

Ou seja, não há motivos para se ter preconceitos com uma pessoa ostomizada! Precisamos ajudar a pessoa ostomizada, principalmente a recém-ostomizada para que ela leve uma vida normal e volte para o convívio social, sem se isolar e sem ter medo de sofrer preconceito. Convidamos vocês a nos ajudar a acabar com este e os outros tipos de preconceito!

Referência Bibliográfica:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Preconceito (pesquisado em 04/08/2015)








segunda-feira, 27 de julho de 2015

O que seria de mim sem a minha ostomia?

Christiane e Cláudia Yamada

Você entrou na minha vida de repente e a modificou totalmente, virou o meu mundo de cabeça para baixo, e sem ao menos pedir autorização, resolveu permanecer eternamente, até o último dia da minha vida.

Eu não vou negar que já te odiei, já chorei por sua causa e já reclamei muito de você. Antes da sua presença, a minha vida era tão mais fácil, eu podia vestir a roupa que quisesse, sem me preocupar se você iria aparecer ou não. Eu comia o que eu tinha vontade, sem ficar com medo de você obstruir, dar diarreia, gases ou chorar de tanta cólica. Eu não passava vergonha com os barulhos que você faz nos horários e lugares mais impróprios, e nem me preocupava com os estados dos banheiros públicos. Eu não precisava me preocupar com o que comer antes de trocar a sua “roupa” (placa e bolsa de ostomia). Eu não sentia o ardor (queimação) em volta de você e a minha pele estava sempre em perfeito estado.

Porém já faz tantos anos que você faz parte do meu corpo, que eu já aprendi a conviver com você. É lógico que se eu pudesse escolher em ser ou não ostomizada, eu escolheria não ser, mas hoje eu te vejo de outro modo. Hoje eu agradeço a sua existência, pois é graças a você que eu estou viva, é graças a você que eu tive a oportunidade de continuar ao lado de pessoas maravilhosas (família e amigos), é graças a você que eu posso passear e viajar... Se você não existisse, hoje eu não estaria aqui para te agradecer e agradecer pela minha vida.

Ainda reclamo muito de você na hora de trocar a sua “roupa” e com certeza ainda reclamarei muitas vezes, pois graças a você eu ainda viverei por muitos anos. E o que seria de mim sem você? Hoje pensando é fácil responder, simplesmente eu seria um nada, pois provavelmente não estaria mais aqui, e se ainda estivesse viva, não teria a qualidade de vida que tenho atualmente.

Com você eu aprendi muitas coisas, aprendi a não reclamar tanto da vida por problemas pequenos, aprendi a agradecer mais, aprendi a ajudar os outros e apesar de tantas dificuldades, aprendi a ser mais feliz.


É minha ostomia, você mudou a minha vida, não é fácil viver com você não, mas é melhor tê-la em minha vida e estar viva, do que não tê-la e não viver. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Continue vivendo, mesmo com a ostomia

Christiane e Cláudia Yamada

Não é fácil ser ostomizado, porém nós precisamos nos adaptar às novas condições de vida, principalmente se a ostomia for definitiva. Apesar dos nossos medos (acidente com a bolsa, sofrer preconceito, vergonha dos barulhos dos gases...), nós não podemos ficar trancados em casa, sem passear, conhecer pessoas novas, nos divertir..., nós precisamos tentar voltar a nossa vida normal, tanto em relação a nossa vida social, como a profissional.

Dependendo do tipo de trabalho que você realiza, você poderá voltar a exercer o mesmo cargo, porém em alguns casos (se for trabalho que é necessário fazer muita força ou carregar muito peso ou que seja em lugar muito quente...) isso não será possível, nesse caso você poderá ser remanejado de cargo.

Caso você se aposente ou esteja de licença, é importante que você procure alguma atividade para fazer, pois quando a pessoa fica em casa “à toa”, é comum entrar em depressão. Procure fazer cursos (artesanatos, línguas, informática...), pois além de aprender coisas novas e se distrair, você irá conhecer outras pessoas, ou se o seu médico autorizar, faça atividades físicas, você pode também marcar encontros com os amigos (cinema, shows, teatros, passeio em parques, almoçar ou jantar em restaurantes em que tenha comidas que você possa comer...).


Não deixe que a ostomia faça com que você se esconda do mundo, ela é muito importante para a sua vida, pois você está vivo graças a ela, porém você também é muito importante para a sua família e seus amigos, por isso, mesmo que você esteja abalado com a cirurgia, continue lutando e tente ser feliz, não perca a sua fé.

terça-feira, 19 de maio de 2015

"Mulher com ostomia você é capaz de manter o encanto" - sétima edição

A sétima edição da cartilha “Mulher ostomizada você é capaz de manter o encanto” de autoria de Damaris Morais e em parceria com a Associação Brasileira de Ostomizados, foi desenvolvida para ensinar o básico e os primeiros passos que uma pessoa recém ostomizada deve aprender, por exemplo, como trocar e esvaziar a bolsa de ostomia.

A cartilha também visa valorizar a mulher ostomizada e fortalecer a sua autoestima, mostrando que apesar da existência de obstáculos, ela pode se sentir bonita, através de exemplos de roupas de praia, piscina, ginástica, roupa do dia-a-dia, lingerie...

A sétima edição da cartilha, além de conter os assuntos tratados na sexta edição, como por exemplo, esporte, alimentação, dicas úteis, vida íntima, gravidez, banheiro adaptado para os ostomizados e legislação, conta com a contribuição muito importante da psicóloga Edirlene Fernandes, que trata das implicações psicológicas decorrentes da realização de uma ostomia, de forma simplificada.

O Blog “Ostomia sem fronteiras” se sente honrado em ter contribuído na sexta e na sétima edição,  com a parte “Alimentação e Ostomia”.

Se você é ostomizado(a) e ainda não leu a cartilha, essa é a hora e você não irá se arrepender, pois vale muito a pena e sempre tem alguma coisa nova para aprendermos. Se você é um familiar ou amigo(a) de uma mulher ostomizada indique a leitura desta cartilha, com certeza você irá ajudá-la.

Para visualizar a cartilha acesse o link:

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Coceira ao redor do estoma

Christiane e Cláudia Yamada

É muito comum uma pessoa ostomizada sentir uma coceirinha ao redor do estoma e isso pode acontecer por vários motivos.

Geralmente, quando sentimos esta coceira, é muito difícil nos controlarmos para não coçar, pois quanto mais coçamos mais vontade temos de coçar. Mesmo sendo difícil, devemos evitar coçar para não irritar e nem machucar a pele.

Alguns motivos que podem ser a causa da coceira são:

- Desidratação:
Se a pele ao redor do estoma estiver coçando, porém, não estiver vermelha, irritada ou com alergia, e nem estiver infiltrando fezes/urina a causa pode ser a desidratação. Beba bastante líquido, se a causa for a desidratação, assim que você estiver bem hidratado (a), irá parar de coçar.

- Infiltração de fezes ou urina:
Se estiver infiltrando fezes/urina pela placa de ostomia, irá irritar a pele, causando coceira e até assadura. Procure recortar na placa um orifício com tamanho mais próximo possível do estoma para evitar esta infiltração. E quando isto acontecer troque a placa/bolsa o mais rápido possível.

- Alergia da placa:
Algumas pessoas apresentam alergia a alguns tipos de placas, devido ao material. Isto causa irritação e muita coceira na pele. Caso isso ocorra é importante que você procure um enfermeiro estomaterapeuta para que ele lhe ensine como cuidar da pele irritada e lhe apresente outros modelos e marcas de placas para que você experimente e escolha a que se adaptar melhor.

- Alergia a pasta com álcool:
A pasta com álcool é utilizada ao redor do estoma para ajudar a fixar a placa/bolsa, porém algumas pessoas podem apresentar alergia a essa pasta, causando irritação e coceira na pele. Caso isso aconteça, troque a placa e não use mais a pasta com álcool, existem tiras sem álcool que podem substituir a pasta, sem causar a alergia.

- Calor:
Muitas pessoas ostomizadas sofrem com o calor, pois normalmente ele causa coceira ao redor do estoma, caso isto aconteça com você, evite a exposição ao sol, use roupas leves e beba bastante líquido.


É muito importante que você procure um(a) enfermeiro(a) estomaterapeuta sempre que perceber alguma anormalidade (irritação, coceira, vermelhidão, alergia...) com a pele ao redor do seu estoma, pois ele(a) é o(a) profissional mais indicado(a) para te ajudar neste momento.

domingo, 5 de abril de 2015

Ostomia e quimioterapia

Christiane e Cláudia Yamada

Muitas pessoas ostomizadas precisam fazer quimioterapia, e se não é fácil ser ostomizado, imagina ser ostomizado e fazer tratamento oncológico ao mesmo tempo?

As pessoas ostomizadas que realizam quimioterapia precisam ter um cuidado redobrado com a sua ostomia e sua saúde, por vários motivos.

Quando falamos em quimioterapia, normalmente pensamos em cansaço, debilitações, náuseas..., mas os tratamentos também podem produzir outros efeitos colaterais. Podem afetar, por exemplo, a pele.

Devido ao tratamento oncológico a pele pode sofrer algumas alterações, como ficar mais seca, sensível, irritada e apresentar manchas.  Com essas alterações muitas vezes a bolsa/placa de ostomia precisa ser trocada com mais freqüência, diminuindo assim, o seu tempo de uso.

Troque a placa/bolsa com muito cuidado e delicadeza para evitar que a sua pele fique irritada e/ou ferida. Muitas pessoas sentem uma coceira na pele ao redor do estoma ao retirar a placa/bolsa, porém evite coçá-la, principalmente se você estiver em tratamento oncológico, pois neste período a sua pele está mais sensível, em caso de ferida a sua cicatrização pode ser mais demorada e a sua imunidade pode estar mais baixa, o que facilitaria uma infecção.

Outro efeito colateral de algumas quimioterapias é a diarreia. Se isto acontecer você precisa se preocupar com três coisas: a troca e durabilidade da bolsa/placa, a sua hidratação e a sua alimentação.

Quando você estiver com diarreia, a durabilidade das placas/bolsas é menor, pois o intestino funcionando mais vezes e com as fezes mais líquidas, a infiltração ocorre mais facilmente. Preste atenção para evitar assaduras, principalmente se sua pele estiver sensível e irritada. Não deixe a bolsa ficar muito cheia, para evitar que ocorram acidentes.

É essencial beber bastante líquido (2,0 a 3,0 litros/dia) para evitar a desidratação, principalmente se você for ileostomizado e estiver com diarreia. Se você sentir câimbras, tonturas...procure seu médico!!!

Em relação à alimentação, se a quimioterapia que você estiver fazendo causar diarreia, evite alimentos que soltem o intestino, como por exemplo, o mamão, a laranja com bagaço, ameixa preta, maçã e pera com casca, manga, verduras, beterraba, aveia, farelo de trigo, arroz integral, feijão, lentilha, grão de bico, ervilha...

Muitas vezes com a quimioterapia, o odor das fezes ficam mais fortes. Alguns alimentos podem ajudar a amenizar esse odor, são eles: pêssego, maçã, pera, banana maçã, goiaba, iogurte natural, coalhada, chá (hortelã, erva doce, salsinha).

Não é fácil ser ostomizado e ter que fazer quimioterapia, porém temos que enfrentar o tratamento, os efeitos colaterais, os problemas com as bolsas e seguir a vida. Afinal nem todos tem a mesma chance que nós tivemos!!!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ostomia e o calor

Christiane e Cláudia Yamada

O verão é a estação do ano preferida por muitas pessoas, pois aproveitamos os dias mais quentes e longos, o sol, vamos à praia, piscina, cachoeira, parque..., e usamos roupas mais leves e confortáveis..., porém o calor pode ser um inimigo para muitos ostomizados.

A maioria dos ostomizados sente na pele a dificuldade de ser ostomizado durante o verão, por alguns motivos que podem ser prejudiciais ao seu bem estar.

Podemos citar alguns exemplos: 
- Desidratação
A pessoa ostomizada desidrata mais rápido que uma pessoa sem ostomia, pois ela não tem controle no funcionamento do seu intestino e/ou bexiga, perdendo mais líquidos e eletrólitos.

- Diarreia
No o calor, o intestino de uma pessoa ostomizada pode funcionar mais vezes e as fezes  podem ficar mais líquidas.

- Duração da placa e bolsa de ostomia
No calor, muitas vezes a pele ao redor do ostoma coça (sensação de pinicar) e como, geralmente, o do intestino fica mais solto, as placas duram menos tempo, sendo necessário trocá-las com mais freqüência.

- Aderência da placa
Durante a troca da placa é importante secar bem a pele para que a placa fique bem aderida. Nesse calor é muito difícil secar bem a pele, pois muitas vezes ficamos suando e por isso a placa pode se descolar mais fácil, ou dependendo da placa, se a pele suar, ela grudará muito na pele, o que dificultará a sua retirada.

Algumas dicas para os ostomizados nesse verão:
- Tomar bastante líquidos, para não ficar desidratados (2,0L-3,0L/dia);
- Quando se alimentar fora de casa procure restaurantes de sua confiança com boa higiene, bom armazenamento e cuidados na manipulação dos alimentos.
- Se tiver diarréia e ela persistir por mais de um dia, entre em contato com o seu médico proctologista ou procure um hospital, pois você pode desidratar.
- Troque a placa sempre que necessário.
- Lave ao redor do ostoma com água morna ou fria, para não irritar a pele e evitar que ela sue muito.
- Evite fazer muito esforço físico nos horários em que o sol está mais quente, pois o cansaço e o suor é bem maior.