Christiane e Cláudia Yamada
Assim
como em qualquer outra cirurgia, uma pessoa ostomizada precisará de tempo para
a sua recuperação e só depois poderá voltar ao trabalho. Porém, antes deverá
consultar o seu médico, para saber se já está apto para retornar às suas
atividades cotidianas.
As
pessoas com ostomia podem realizar a maioria dos trabalhos, porém é preciso
tomar cuidado com alguns tipos de serviços que exigem muito esforço físico ou que
necessite carregar peso, pois pode causar hérnia ou prolapso. Como por exemplo:
motoristas de caminhão ou ônibus, mecânicos, bombeiros, pedreiros... E também é
preciso tomar cuidado com serviços que possam expor o ostoma ao calor.
Se
a pessoa ostomizada realiza, na empresa, uma atividade que exija esforços
físicos, ela pode ser remanejada de cargo, passando a realizar atividades
compatíveis a sua condição física, como por exemplo, um cargo administrativo. Além disso, necessitarão de
atividades laborais que lhes garantam maior flexibilidade para irem às
consultas com a equipe multidisciplinar, além de possibilitarem sua ida ao
banheiro, quando necessário.
Por
isso, quando uma pessoa ostomizada voltar ao trabalho, é interessante que ela
converse com o seu empregador e os seus colegas de trabalho sobre a sua
ostomia. Como a ostomia é pouco divulgada na mídia, poucas pessoas sabem o que
é, e ao explicar o que significa ser uma pessoas ostomizada, eles passarão a
compreender melhor as suas necessidades e dificuldades, melhorando assim o seu
relacionamento com as pessoas e evitando situações constrangedoras, como por
exemplo o barulho dos gases e as idas
mais frequentes ao sanitário. Porém muitos
preferem esconder a sua condição física com medo de preconceito.
Geralmente,
as pessoas ostomizadas têm dificuldades em voltar ao trabalho, pois podem se
sentir inseguras para cuidar da ostomia ao mesmo tempo em que trabalha, e tem receio
de que aconteça “acidentes com a bolsa de ostomia” durante o período de
trabalho.
Além
disso, muitos temem ser objeto de curiosidade no ambiente de trabalho e, na
tentativa de evitar esta situação, acabam optando pelo afastamento por meio do
auxílio-doença ou da aposentadoria por invalidez. Porém, a ausência de
atividade laborativa pode levá-los a ociosidade e ao isolamento social,
contribuindo para prejudicar ainda mais a sua qualidade de vida.
Muitas
vezes, o próprio ostomizado se define como uma pessoa com limites ou com perda
da capacidade para trabalhar, e acabam dizendo pra si mesmo que “não é possível trabalhar... não posso ir atrás de um trabalho... não vão me aceitar... não
passo no exame médico... se quem tem saúde inteira já não consegue... imagina
eu então...”.
O
retorno ao trabalho pode ser difícil para um ostomizado, porém é importante que
ele não fique preso somente aos seus medos. A volta ao trabalho pode ajudar o
ostomizado a se inserir novamente no meio social, além de melhorar a sua
autoestima, pois ele se sentirá uma pessoa capaz de realizar atividades, e isso
melhorará a sua qualidade de vida.
Portanto,
se a pessoa ostomizada tiver condições de saúde é muito importante que ela
volte a trabalhar, porém sabe-se que muitas pessoas ostomizadas, quando
desempregadas, têm dificuldade de conseguir um emprego devido a sua condição
física. Caso o ostomizado se aposente por invalidez, é interessante que ele
realize outras atividades, como por exemplo, cursos de artesanatos, culinárias,
atividades físicas, pois o contato com outras pessoas é muito importante para
que a pessoa tenha uma vida social ativa.
É
muito importante, que o ostomizado leve para o local de trabalho um kit com
bolsas, placas, pasta, tesoura... tudo o que ela precisa para realizar a troca
da bolsa, pois podem acontecer acidentes
inesperados e ser necessário realizar a troca no serviço.
Referências:
United
Ostomy Associations of America, Inc. Ileostomy Guide. Accessed at
www.ostomy.org/ostomy_info/pubs/uoa_ileostomy_en.pdf
on March 2, 2011.



