E-mail: ostomiasemfronteiras@yahoo.com.br

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A importância do enfermeiro estomaterapeuta na vida de um ostomizado


Christiane e Cláudia Yanada

A estomaterapia é uma especialidade da prática da enfermagem, voltada para o cuidado de pessoas com estomias, feridas agudas e crônicas, fístulas, drenos, cateteres e incontinências anal e urinária.

O enfermeiro estomaterapeuta é um profissional fundamental para a assistência ao ostomizado. No Brasil, os cursos de especialização nessa área surgiram na década de 90. De lá para cá, esta ciência avançou muito, mas capacitar enfermeiros para esta prática ainda é um desafio, embora seja um campo muito fértil.

Além dos cuidados na manutenção das ostomias, o enfermeiro estomaterapeuta possui um papel fundamental na adaptação e reabilitação do paciente, pois identifica quais as maiores necessidades e dificuldades na convivência com a bolsa de ostomia, visto que muitas vezes, no início, o seu uso causa desconforto e constrangimento. Portanto, uma das intervenções de enfermagem mais relevante neste processo de cuidado é a de estimular e orientar quanto ao autocuidado e a aceitação por parte do ostomizado, contribuindo assim, para a qualidade de vida. 

O enfermeiro estomaterapeuta é importante para capacitar o ostomizado e a sua família a prevenir e a detectar, através da aprendizagem do autocuidado, os sinais de alerta de uma disfunção, para atuar, se necessário, diante das possíveis complicações.  A assistência de enfermagem prestada neste período geralmente aborda os seguintes itens: orientações relativas ao autocuidado, a higiene do ostoma e pele periestoma, à observação do ostoma e pele periestoma e os cuidados com o sistema coletor.

O enfermeiro estomaterapeuta ajuda o ostomizado a escolher a placa que melhor se adapta de acordo com o seu ostoma, por exemplo, a placa plana ou convexa, de uma peça ou de duas peças, com ou sem micropore..., além de verificar a necessidade do uso de outros produtos, caso a pessoa ostomizada esteja com ferimentos na pele ou alergia ao material.

Muitas vezes, o ostomizado tem receio e vergonha de falar sobre as suas dificuldades e medos com outras pessoas, mesmo sendo da família, pois acreditam que elas não irão compreendê-lo, por isso é importante que o paciente converse com uma pessoa que tenha conhecimentos sobre o assunto para esclarecer as suas dúvidas ou para simplesmente desabafar, por isso é muito importante que a pessoa ostomizada converse com um enfermeiro estomaterapeuta.

É muito importante o enfermeiro conversar e orientar os familiares, pois os maiores problemas enfrentados pelos ostomizados estão no âmbito psicossocial em que acompanham situações de rejeição, causando baixa autoestima e distorções à imagem corporal. Neste contexto, verifica-se a importância de formação de grupos de apoio, associações e dos centros especializados, com profissionais habilitados para atender a estas pessoas/famílias que necessitam de atenção e apoio.

Se necessário, o enfermeiro estomaterapeuta encaminha o paciente para outros profissionais da equipe (psicólogo, assistente social, nutricionista...); além de estimular esses pacientes para o retorno as suas atividades diárias.

Esses são alguns motivos que faz com que o profissional estomaterapeuta seja muito importante na vida de uma pessoa ostomizada.

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DOS OSTOMIZADOS. Relatório de atividades. Rio de Janeiro: SBO; 1998.   




CEZARETI, I. R.; GUIDI,M. E. Assistência de enfermagem em estomaterapia: Atividade Independente. Acta Paul. Enf., São Paulo, V.7, n.1, p. 11-18, jan/mar, 1994

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vídeo com depoimento de Viviani Mattos

Acompanhem a linda e emocionante história de vida de Vivianni Mattos, ostomizada desde que nasceu! Vale a pena assistir!



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Como fazer para tirar a CNH Especial ou a alteração para CNH Especial


Christiane e Cláudia Yamada

De acordo com a Lei 5296 de dezembro de 2004, as pessoas ostomizadas são consideradas pessoas com deficiência física, conforme previsto em seu artigo 5º parágrafo 1º letra a. E normalmente elas não ficam sabendo sobre alguns benefícios que tem direito, como por exemplo, a CNH Especial.

Para requerer a CNH Especial, em São Paulo, é necessário ter 18 anos completos, ser alfabetizado e apresentar os seguintes documentos:
  • ·         Documento de identificação pessoal (RG, RNE dentre outros previstos na Portaria 1288/2011 do Detran.SP) - Original e uma cópia simples. São aceitos: a) Carteira de identidade: Registro Geral (RG) ou Registro Nacional de Estrangeiro (RNE), ambos com foto que identifique o portador; b) Documentos de identidade militar emitidos pelo Ministério da Defesa (Exército, Marinha e Aeronáutica); c) Documentos de identificação funcional emitidos pelas polícias federais ou estaduais; d) Documentos de identidade dos conselhos ou ordens de classe.

Obs.: a) Documento em perfeito estado e com foto atual; b) Não pode conter abertura, replastificação, fotografia antiga e/ou danificada e outras deteriorações que dificultem a identificação do cidadão ou impeçam avaliação da autenticidade.
No caso de estrangeiro que solicitou, mas ainda não recebeu o Registro Nacional de Estrangeiro (RNE) ou a Cédula de Identidade de Estrangeiro (CIE), deve apresentar:
1) Protocolo com certidão qualificativa emitida pela Polícia Federal em que conste o número e a validade do documento (RNE ou CIE).
2) Formulário preenchido e impresso do Sistema Nacional de Cadastramento de Registro de Estrangeiro (Sincre). Obtenha no endereço: https://servicos.dpf.gov.br/sincreWeb/
  • ·         CPF - Original e cópia;

·         Comprovante de endereço emitido até três meses imediatamente anteriores à data da solicitação realizada pelo interessado - Original e cópia. Serão aceitos contas de energia elétrica, água, gás, telefone, IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), condomínio, INSS (Comprovante do Instituto Nacional do Seguro Social) ou correspondência originária de instituições financeiras, públicas ou privadas ou de órgãos públicos Federais, Estaduais ou Municipais da administração direta ou autárquica. Os comprovantes de endereço deverão estar em nome do próprio interessado ou parente próximo (cônjuge, companheiro, pais, irmãos e filhos), mediante apresentação de documento original e cópia que comprove o parentesco ou estado civil (RG, certidão de casamento ou escritura de união estável, certidão de nascimento);
  • ·         Original do Protocolo de agendamento;

Obs.: Os documentos não podem estar em condições que impossibilitem a verificação da sua autenticidade e foto recente que possibilite a identificação.

A diferença em relação à obtenção da carteira de habilitação normal é uma junta de médicos que examina a extensão da deficiência e desenvoltura do candidato.

Depois de providenciar os documentos, o solicitante deve procurar uma clínica credenciada autorizada a realizar Exames Médico e Psicotécnico Especiais em Portadores de Deficiência Física ou com Mobilidade Reduzida (lista disponível em http://www.detran.sp.gov.br/).

Os links para o Estado de São Paulo são:
-DETRAN: http://www.detran.sp.gov.br/enderecos/enderecos.asp 
-CIRETRANS:http://www.detran.sp.gov.br/enderecos/ciretrans.asp


De posse do resultado do exame médico, a pessoa deve fazer a matrícula em um Centro de Formação de Condutores (CFC) credenciado e realizar o exame teórico no DETRAN.

Para a realização do exame prático a pessoa deve procurar uma autoescola ou CFC que possua o veículo adaptado para o tipo de deficiência constatada.

Os exames práticos podem ser feitos as terças e quintas, às 14h, na Av. Aricanduva, 5555 – Aricanduva, atrás do Shopping Aricanduva.

No dia do exame prático, o carro é vistoriado por um médico perito que checa se as adaptações estão de acordo com a deficiência constatada.

Na CNH Especial fica especificada a adaptação necessária para que o deficiente dirija em segurança.

É muito comum as pessoas já possuírem a habilitação e posteriormente serem acometidas por algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida, nesse caso, é necessário que o condutor faça a alteração da sua CNH. Esse processo exige um novo exame médico (o médico precisa ser credenciado pelo médico do Detran SP) e prático que irá avaliar se o motorista é apto a dirigir nesta nova situação.

Além disso, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deverá estar em situação regular (não ter sido cassada, suspensa ou com pontuação excedida).

Deve-se iniciar o processo na Ciretran do município de domicílio ou residência e realizar o exame prático em Ciretran que possua banca especial para pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.

É necessário:
·         Fazer a Inscrição na Autoescola
·         Realizar exame médico
·         Fazer curso prático na Autoescola
·         Fazer o Exame Prático no DETRAN (Antes do exame prático, o carro é vistoriado por um médico perito que checa se as adaptações estão de acordo com a deficiência constatada).

Onde o serviço é prestado?
  • ·         Na capital: inicie o processo na Unidade Armênia, Interlagos ou Aricanduva, porém o exame prático é realizado somente na unidade Aricanduva (banca especial). (ver endereço no site do Detran)
  • ·         No interior: inicie o processo na Ciretran do município de domicílio ou residência e realize o exame prático em Ciretran que possua banca especial para pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida (ver endereço no site do Detran).

Obs.: Verifique o local de registro de sua CNH, pois, em caso de mudança de endereço para município de outra Circunscrição Regional de Trânsito, acesse o procedimento de Transferência da CNH

Como exemplo de Autoescolas que habilitam pessoas portadoras de deficiência física, podemos citar a Autoescola Javarotti (site: http://www.autoescolajavarotti.com.br/). Conhecemos pessoas ostomizadas que se habilitaram nessa autoescola.

Portadores de necessidades especiais tem direito a compra de veículos com isenção dos seguintes impostos:
  • ·         IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados;
  • ·         ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços;
  • ·         IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores;
  • ·         Rodízio Metropolitano do Município de São Paulo.

Referências:

http://www.detran.sp.gov.br/
http://www.deficienteciente.com.br/2010/02/cnh-para-deficientes-fisicos_08.html

sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz 2013!!!

Nós, do blog Ostomia sem fronteiras, desejamos a todos ostomizados, ex-ostomizados, familiares, amigos e seguidores que no Ano Novo que se aproxima, possamos viver intensamente cada momento com muita Paz, Amor e Esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus!

Nunca se esqueça de que "para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre" (Carlos Drummond de Andrade)

Feliz Ano Novo!!!


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Algumas dicas que podem facilitar a troca da bolsa e ajudar a placa a aderir melhor na pele.


Christiane e Cláudia Yamada

Gostaríamos de compartilhar com vocês algumas dicas de como trocar a bolsa de ostomia, que podem ser úteis aos recém-ostomizados. Porém não podemos nos esquecer de que o que é bom para nós, nem sempre é bom para o outro!

1 – Troque a sua bolsa de preferência na parte da manhã e em jejum, pois geralmente neste horário o seu intestino está “mais vazio” e diminui o risco de funcionar na hora da troca.

2 – Deixe uma placa recortada previamente no dia anterior, ou antes de retirar a bolsa, pois a pressa pode atrapalhar, e fazer com que o recorte fique grande, o que facilita que ocorra infiltração das fezes e assim a pele pode ficar assada, ou que fique muito justo, podendo machucar o estoma.

3 – Antes de recortar a placa, primeiro desenhe o recorte com a ajuda de uma caneta esferográfica e de um medidor.

4 – Procure recortar a sua placa, com uma tesoura pequena de ponta arredondada (aquelas de cortar unha de bebê), pois facilita o recorte.

5 – Para descolar a placa da sua pele, utilize um pedaço de pano macio (por exemplo um pedaço de fralda) umedecido e com sabão, pois facilita a retirada da placa. Retire a placa com cuidado, para não machucar a pele.

6 – Lave bem ao redor do ostoma com água e sabão neutro, retirando todos os resíduos de fezes e pasta. Evite o uso de sabonetes com hidratantes, pois pode prejudicar a aderência da placa na pele.

7 – Enxágue bem a pele retirando todo o sabão.

8 – Seque a pele com um pano macio, principalmente ao redor do ostoma, pois se estiver molhada ou úmida a placa não irá colar direito.

9 – O uso de um espelho pode auxiliar a troca da placa, pois facilita a visualização.

10 - Se necessário, passe o spray Cavilon antes de colocar a placa e espere secar bem.

11 – Se a pele estiver machucada, coloque o “pó para estoma” para retirar a umidade e ajudar a cicatrizar, retire o excesso e coloque a placa.

12 – Algumas pessoas têm a pele irregular, ou ostoma retraído, ou dificuldade da aderência da placa na pele, e utilizam pasta com álcool ou barreira protetora (sem álcool), para ajudar a fixação (aderência) da placa na pele. Esses produtos podem ser colocados na placa ao redor do recorte, ou diretamente na pele em volta do ostoma. 

13 – Após colocar a placa passe o dedo ao redor do ostoma, para fixar bem a placa.

14 – Evite fazer movimentos bruscos logo após trocar a placa, para que a placa fixe bem na pele

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mensagem de Mayra Oliveira


Tenho 23 anos e sou ostomizada, e isso não significa ter uma bolsa coletora de fezes e sim uma vida mais saudável. A retocolite estava me matando aos poucos, passei anos lutando contra a doença até que chegou o dia de eu fazer a cirurgia de ostomia.
Hoje estou curada, não tenho mais o intestino doente, não tenho o intestino grosso, por isso preciso da bolsa de colostomia e as vezes eu não vou poder escondê-la debaixo da roupa, agora ela faz parte do meu corpo.
Muitas pessoas precisam fazer essa cirurgia seja por doença ou por acidente ocorrido, mas a grande maioria da população nunca ouviu falar dessa cirurgia simplesmente porque não é divulgado, não sei porque... dizem que o intestino é o segundo órgão mais importante no nosso corpo, depois do coração, e eu posso dizer pra você com todas as letras! não é fácil ser uma pessoa com problemas no intestino, como também não é fácil ser uma pessoa com problemas no coração, no pulmão, ter diabetes, perder um braço, uma perna, mas sempre damos um jeito pra conviver com aquilo que surgiu de repente em nossas vidas. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A importância da convivência com outros ostomizados


Christiane e Cláudia Yamada

A maioria das pessoas não sabe o que significa “ser ostomizada”, pois a cirurgia de “ostomia” não é muito divulgada na mídia, e na maioria das vezes nós só ficamos sabendo o que é, quando por algum motivo, nós, algum familiar, ou amigo precisamos passar por esta cirurgia.

Cada pessoa reage de uma maneira e no começo todos temos o direito de ficar triste, chorar, sofrer, se revoltar... A duração desses sentimentos depende do tempo de adaptação e aceitação de cada um.

Muitas vezes, no início, acreditamos que somos os únicos ostomizados do planeta, e por isso nos sentimos o “patinho feio” da família e dos amigos, e então imaginamos que a nossa vida acabou, que ninguém irá nos aceitar, que nossos amigos e nossa família irão nos abandonar! Mas calma, pare e respire, porque nem sempre é assim!

Nós temos algumas ferramentas ao nosso favor, e uma delas é a internet! É lógico que a internet também pode não ser favorável, depende muito do que você pretende pesquisar. Portanto, use-a a seu favor!!!

As páginas de relacionamento são ótimas ferramentas, pois nelas encontramos muitas pessoas ostomizadas para nos relacionarmos, trocarmos experiências, dicas de alimentação, roupa, materiais... Além disso, nessas páginas existem muitos grupos relacionados à ostomia, onde são discutidos diversos assuntos, são tiradas muitas dúvidas, temos acessos aos nossos direitos... e o principal, descobrimos que existem muitas pessoas que são iguais a nós e são muito felizes.

Nós conhecemos pessoas que ainda estão em processo de adaptação e precisam da nossa ajuda, mas também aquelas que já superaram qualquer sentimento de dor, revolta, tristeza, e hoje estão prontas para ajudar os recém ostomizados e os ostomizados que ainda não se aceitaram.

Nós aprendemos muito e também ensinamos muito convivendo com outras pessoas ostomizadas. Por isso a troca de experiência é fundamental para o nosso aprendizado, nossa adaptação e nossa aceitação, pois nós não nascemos ostomizados e, portanto, não temos a obrigação de saber como lidar com a ostomia.

Muitas vezes acreditamos que a situação em que nos encontramos é a pior de todas, mas ao conhecermos outras pessoas ostomizadas, percebemos que existem casos muito mais difíceis que o nosso. Além disso, algumas pessoas não são ostomizadas, porém tem limitações mais complicadas que a de um ostomizado, por exemplo, um deficiente visual, paraplégico, tetraplégico..., e muitos deles são felizes, então nós também podemos superar as nossas dificuldades e viver bem.

É muito importante conhecermos novos ostomizados, nem que seja só para “jogar conversa fora”, pois muitas vezes precisamos da companhia de pessoas que passaram ou estão passando pela mesma situação que a gente para desabafar, pois elas sim entendem as nossas dificuldades, os nossos medos, as nossas tristezas... não que uma pessoa que não seja ostomizada não nos entenda, mas é diferente!
Através da troca de experiência nos grupos nós aprendemos que apesar de termos nossas limitações, nós nascemos para sermos felizes! Precisamos nos libertar do “estigma social” de “coitadinho”, mostrar nossa “cara” ao mundo, mostrar que somos capazes e que somos felizes...Por isso, divirta-se, sorria, seja feliz, viva a vida!!!