E-mail: ostomiasemfronteiras@yahoo.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Depoimento de Maria Rita

Acompanhe o emocionante depoimento de Maria Rita.


Minha história começou aos 11 anos de idade, com dores abdominais e diarréia com sangue. Após idas e vindas aos hospitais  e consultórios médicos (pediatra, clinico geral, entre outros), fui internada e passei por uma colonoscopia, a qual diagnosticou Retocolite Ulcerativa Inespecífica (RCUI). Então começaria minha jornada de tratamentos: medicações (corticóide, sulfas, ciclosporina, entre outros), dietas, exames periódicos, até que aos 19 anos fui internada em UTI devido ao estado de choque causado por uma hemorragia e após dois meses de internação passei pela primeira intervenção cirúrgica para retirada total do cólon e confecção de uma ¨bolsa¨ interna confeccionada com o intestino delgado e uma ileostomia temporária.
Foi muito traumático, sem nenhum preparo ou explicação, nunca tinha ouvido falar de ostomia e nem ao menos sabia o que era uma bolsa coletora! Era minha única opção para poder voltar a me alimentar, ir para casa e o melhor: seria curativa, pois RCUI acomete apenas o colón!
Ok, passado o susto inicial, fiquei por um ano ostomizada e após um ano e quatro meses, fiquei bem após a reconstrução do trânsito intestinal. Porém, após uns cinco anos voltei a apresentar problemas intestinais e dores fortíssimas e, no ano de 2000 voltei ao centro cirúrgico para uma laparotomia exploratória devido a um abscesso intestinal interno, que inclusive foi diagnosticado como tumor ovariano! Resultado: ostomizada novamente por um ano e meio.
Confesso que a idéia de ficar ostomizada não me era agradável e foi então que eu decidi procurar alguma ajuda e aceitar minha situação. Pesquisando na Internet, encontrei a Associação de Ostomizados do Estado de São Paulo (AOESP) onde fui muito bem recebida e acolhida e colocada em contato com outras pessoas, inclusive jovens com problema de saúde semelhante ao meu e outros até piores.
Desta forma começava um período de melhora para mim. Além disso, tive a oportunidade de representar o Brasil durante o II Congresso de Jovens Ostomizados ocorrido em outubro de 2001, no Canadá. Guardo boas recordações das pessoas que conheci e de tudo que aprendi.
Em 2002, fiz a reconstrução do trânsito intestinal e após 6 meses apresentei fístula enterocutânea (na barriga mesmo!) e, após várias tentativas do médico em cicatrizá-la, fui para cirurgia novamente e já avisada que poderia ficar ostomizada em definitivo. Tudo correu bem e não fiquei ostomizada, hoje tenho uma anastomose íleo-anal, mais bolsa interna em J (J -Pouch). Continuo em acompanhamento médico, que após biópsia concluiu Doença de Crohn, já passei por crises fortes da doença com estenose e crohn metastático na virilha, porém atualmente estou bem controlada com a medicação e acompanhamento ambulatorial.
Hoje posso concluir que todos esses acontecimentos me fizeram perceber que não preciso ter medo, posso viver bem, ostomizada ou não e, principalmente não sou a única e o fato de entender melhor a doença e de estar bem assistida proporciona segurança física e psicológica, o que, sem dúvida ajuda muito na recuperação de qualquer pessoa.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Mensagem de Mário Romero, Presidente da AVO - Associação Valeparaibana de Ostomizados


A ostomia nos leva de encontro a uma realidade que talvez seja a mais fabulosa maneira de encontrar a vida em toda sua plenitude. Digo isso com toda minha experiencia pois, ao passar pela estrada da segunda chance, pude visualizar todos os momentos que me trouxeram até aqui. Somos uma parcela da sociedade que se sente diferenciada pelas mudanças de hábitos e de limitações que a ostomia nos proporciona. Mas acontece que dentro de nós, nasce uma força nunca imaginada de sobrevivência, uma força que transforma nossas limitações em superações, que alcança limites nunca buscados pois, desconheciamos a necessidade de transformar nossa vida em vida, vida sem medos e complexos. Então, em função de toda esta descoberta de novidades existenciais, começo uma busca por aqueles ostomizados que se escondem dentro da vida antes da ostomia. Muitos sucumbem por falta de conhecimentos, carinho e compreensão. Muitos se fecham para a sociedade, apesar que esta sociedade da valorização do corpo e da beleza ajudam muitos ostomizados a se recolherem envergonhados pelas mudanças ocorridas em seus corpos, aquelas cicatrizes enormes no abdômen, as hernias, a bolsa que se avoluma e deixa o abdômen diferente, mas, esquecem que o ostomizado pode tudo, tudo e um pouco mais, pois somos privilegiados e diferenciados. A ostomia encontra-se no abdômen e não no coração, no abdomen e não na alma, os sentimentos de um ostomizado são mais apurados e sensíveis, a capacidade de amar de um ostomizado é bem diferente , é mais profundo e mais amplo, foi nos dado o oitavo sentido, a vida em toda sua plenitude.
Procuro os ostomizados do mundo todo, quero encontra-los e abraça-los, quero dizer que a vida nos ama .Preciso mostrar que o medo não pode superar a Esperança, que cada dia apresenta a beleza a ser admirada, quer pelo por do sol, pelo canto de um pássaro, pela chuva que cai, pelo sorriso de uma criança ou pelo olhar apaixonado dos namorados. Ostomizados, se apresentem para a vida, a vida quer você vivo.

Mensagem publicada no Blog AVO-Associação Valeparaibana de Ostomizados

sexta-feira, 23 de março de 2012

O paciente ostomizado e o autocuidado


Christiane a Cláudia Yamada

O acompanhamento do paciente portador de uma ostomia intestinal deve ser realizado por uma enfermeira estomaterapeuta ou uma enfermeira treinada e qualificada, devendo este trabalho ser realizado de forma interdisciplinar.

O tempo ideal para a primeira consulta no ambulatório ou em casa, é no período máximo de 15 dias após a alta hospitalar, pois se presume que, neste espaço de tempo, a convivência com a ostomia pode tornar o ostomizado e/ou membro familiar que o assiste mais sensível, facilitando assim a identificação e o relato das dificuldades encontradas no desempenho das atividades de autocuidado.

A assistência de enfermagem prestada neste período deve estar embasada nos seguintes itens: na revisão e reforço das orientações relativas ao autocuidado; na remoção do sistema coletor; na reformulação das orientações dadas quanta à ansiedade e nível de entendimento do paciente e familiar; no encaminhamento do paciente a outros profissionais da equipe; no estímulo desses pacientes para o retorno as suas atividades diárias; no esclarecimento quanto à existência de métodos alternativos para o controle das eliminações intestinais; e no acompanhamento e reavaliações periódicas com visitas a detecção de complicações ocorridas nesta fase.

As ações específicas do auto cuidado do paciente ostomizado são baseadas em três fatores: a higiene do ostoma e pele periestoma, à observação do ostoma e pele periestoma e os cuidados com o sistema coletor.

A higiene do ostoma e da pele deve ser realizada, cuidadosamente, com água morna e sabonete de uso habitual do ostomizado, utilizando-se pedaços de tecido de algodão limpo, macio e úmido, sem esfregar, tendo o cuidado de remover os resíduos de fezes tanto da pele quanto da borda do ostoma. Não se deve usar esponjas ásperas!

Após a limpeza deve-se enxaguar abundantemente o local, para a remoção de resíduos de sabonete, cuja permanência deste ou de produtos utilizados na limpeza da pele contribui para ocorrência de dermatite química ou de contato. E resíduos de sabonete também prejudicam a aderência do sistema coletor na pele.

Após a limpeza e o enxágüe, deve-se secar bem a pele, pois a umidade excessiva interfere na aderência do sistema coletor e favorece a maceração da pele.
Algumas pessoas podem apresentar pêlos nesta área, e estes não devem ser removidos com lâminas, mas sim aparados bem curtos com uma tesoura de ponta curva, deixando-os rente à parede do abdômen.

A presença de pêlos nesta área de pele, além de interferir na aderência do sistema coletor, é um fator que contribui para o aumento do potencial para foliculite ou inflamação do folículo piloso, que tem uma das causas o trauma causado durante a retirada da bolsa ou mesmo dos pêlos.

Não utilize substâncias agressivas à pele, como álcool, benzina, colônias, tintura de benjoim, mercúrio, merthiolate, pomadas e cremes. Estes produtos podem ressecar a pele, ferindo-a e causando reações alérgicas.

No que se refere à pele periestoma, o paciente deve ser orientado quanto às características normais a serem observadas no ostoma e pele periestomal, tais como coloração (a cor deve ser vermelho-vivo ou rósea), forma regular, tamanho (obtido através do uso de guia de mensuração), protusão, umidade (pela produção de muco pela alça intestinal).
A manutenção da integridade da pele é de suma importância como fator de reabilitação, e pode ser alcançada por intermédio de condições adequadas de higiene e do uso do sistema coletor apropriado.
Quanto aos cuidados com o sistema coletor basicamente se refere à remoção e a troca do dispositivo, bem como à higiene e ao esvaziamento do mesmo.

A troca do dispositivo deve ser inicialmente, efetuada quando se observar que ocorreu a saturação da barreira de pele e antes de haver extravasamento do efluente.

A coloração da placa protetora (resina sintética), geralmente é amarela. Deve-se trocar o dispositivo quando ela estiver ficando branca (chamamos de saturação). A partir daí há risco de descolamento da placa e vazamento do conteúdo.

A troca deve ser feita preferencialmente na hora do banho, pois é mais fácil para se descolar o adesivo. Retire delicadamente a bolsa para não traumatizar a pele. Use gaze ou algodão embebido em água morna, pois facilita a retirada da bolsa. Embaixo do chuveiro, procure soltar a placa, suavemente pressionando a pele e ao mesmo tempo soltando o adesivo.
A remoção do sistema coletor deve ser realizada com movimentos delicados, iniciando pelo deslocamento do adesivo microporoso a partir da lingüeta lateral.

Após o banho, depois de secar o corpo, procure secar bem a pele periestomal.

Para colocar o sistema coletor, retire o papel que protege a resina e segure-o com as duas mãos. O osotmizado deve estar em uma posição confortável e com a observação facilitada do ostoma. Procure posicionar o estoma em frente ao espelho, procurando esticar o corpo durante a colocação.

Adapte a placa de baixo para cima, parte por parte, procurando encaixá-la no estoma, do centro para a extremidade.

Procure não deixar pregas ou bolhas de ar no adesivo, durante a sua aplicação, pois elas facilitam os vazamentos e acabam fazendo com que o dispositivo descole.
Certifique-se de que a placa esteja bem adaptada à pele.

Encaixe a bolsa coletora na placa.

Se você utiliza o cinto, coloque-o após todos estes passos.

Os pacientes idosos geralmente necessitam de auxílio para manusear o equipamento e de estimulo para realizar a limpeza da pele periostomal. Devido o grau de diminuição da visão e dificuldade auditiva, bem como dificuldade com habilidades que requeiram coordenação motora.

Os idosos levam em média 6 meses para sentirem-se confortáveis com o cuidado da ostomia.

Para seu conforto e segurança, sempre que sair de casa leve com você um kit contendo bolsas de reserva, toalha de mão, sabonete neutro, um recipiente contendo água limpa e um saco plástico.

A durabilidade da bolsa será maior, se for esvaziada sempre que o conteúdo atingir um terço ou, no máximo, a metade de sua capacidade.

BAREG, G. B., SMELTZER, C.S. Brunner & suddarth tratado fr : enfermagem medico-cirúrgica.  8a edição. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2000. p. 980.

CESARETTI. R. U. I., SANTOS, G. C. L. V, FILIPPIN, J. M., LIMA, S. R. S. o cuidar de enfermagem na trajetória do ostomizado: pré & trans & pós-operatórios. In: SANTOS, G. C. L. V., CESARETTI, R. U. I. Assintência em estomaterapia: cuidando do ostomizado.  São Paulo: Atheneu, 2000. p. 113-131.

CREMA, E. Estomas ema abordagem interdisciplinar. Uberaba: Pinti, 1997. p.321.

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LIMA, S. G. T. Cuidando do portador de ostomiaintestinal. Rev. Enfermagem Atual, v.2, no 10, p.22-25, mar/abr.2002

FIALHO, A. V. M., PAUGLIUCA, L. M. F., SOARES, E. Adequação da teoria da déficit de autocuidado no cuidado domiciliar do modelo de Barnun. Rer. Latino Americano. Enfemagem, v.10, no5, p. 715-720, set/out. 2002.

SANTOS, G. C. L.V. A estomaterapia através dos tempos. In: SANTOS, G. C. L. V., CESARETTI, R. U. I. Assistência em estomaterapia: cuidando do ostomizado. São Paulo: Atheneu, 2000. p.1-17.

SANTOS, G. C. L. V., CESARETTI, R. U. I. Dermatites periestona: da prevenção ao tratamento. In: JORGE, A. S., DANTAS, E. P. R. S. Abordagem multiprofissional do tratamento de feridas. São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Belo Horizonte: Atheneu. P.299-318.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Depoimento de Priscila Buhrer



Um lindo depoimento de  Priscila Buhrer, que com o apoio de familiares e amigos, conseguiu superar as dificuldades, tornar-se uma vencedora e acreditar que ser ostomizada é uma benção.

Olá, meu nome é Priscila, tenho 33 anos, em 2006 após um exame de colonoscopia tive o diagnóstico de câncer de intestino no cólon de sigmóide, então fui submetida a uma cirurgia, onde foi retirado um pedaço do intestino onde estava a doença, meu médico preferiu não fazer radioterapia e quimioterapia, já que  ainda não tinha filhos e havia acabado de  me casar,  com o tratamento poderia ficar estéril.

Após um ano fui liberada para engravidar, em 2008 tive minha pequena Agnes, minha princesinha!!!!

Em 2009 comecei a menstruar de dez em dez dias e com fortes dores lombares, fiz vários exames, então a notícia, estava com câncer novamente,  comecei minha luta, sempre com o apoio de minha família, amigos e dos meus médicos, fiz mais uma cirurgia, o tumor estava no intestino aderido a um dos meus ovários, então foi retirado mais uma parte do meu intestino e o ovário afetado. Após duas semanas de cirurgia comecei o tratamento, fiz radio e quimio, foi um ano de tratamento.

O tratamento acabou em julho de 2010, e como o médico havia previsto, fiquei estéril entrando na menopausa precocemente. Em março de 2011 após uma ressonância, aparentemente a doença havia voltado, fiquei desesperada. Quando estava indo para o centro cirúrgico rezei muito pedi a Deus e a Nossa senhora de Aparecida que me iluminassem, que não fosse nada, então minhas preces foram ouvidas, nenhuma recidiva da doença, meu ovário e útero haviam se atrofiado e colaram no intestino devido a radioterapia. Dias após a cirurgia levei um grande susto em casa, tive uma enorme hemorragia no dreno, uma artéria havia se rompido, fui novamente para o hospital e submetida a uma transfusão, pois perdi muito sangue. No decorrer dos dias foi tudo bem, me recuperei rápido e voltei a trabalhar.

Em  junho após exames foi visto que meu rim esquerdo estava atrofiando, pois não estava passando o líquido para a bexiga devido a uma obstrução no ureter, fui submetida à outra cirurgia para reconstrução do canal do ureter, mas após duas semanas de cirurgia tive uma infecção, fiquei dias no hospital, sentindo um descaso do meu urologista,  pedi ao meu oncologista  que assumisse meu caso, então   voltei para a casa,  mas tive uma fistula na cirurgia onde ficou vazando até outubro, quando começou a vazar fezes, fiquei desesperada então voltei para o centro cirúrgico, o médico procurou a fístula mas não encontrou, fechou a cirurgia, e um dia antes da alta, começou a vazar fezes novamente pelos pontos, fiquei novamente desesperada, pois estava cansada, já havia perdido 15 kg, novamente coloquei minha vida nas mãos de Deus, foi quando descobri o que era ostomia, sai do centro cirúrgico ostomizada, após sair do hospital fiquei meio deprimida, estava mais chateada porque não era o meu normal, sempre fui muito animada e otimista. Então conheci a minha amiga Juliana, pelo facebook, também ostomizada, que ajudou muito na minha adaptação,  me apresentou as MSPG, meninas super legais que também me ajudaram muito.

Hoje voltei a minha vida normal, aprendi que ser ostomizado é uma benção, é uma chance de viver, a ostomia não me atrapalha em nada, viajo, dirijo, trabalho, faço tudo o que gosto!

Agradeço  ao meu marido, mãe, irmã  e tia que cuidaram  com muito carinho de mim, aos meus sogros e cunhado que cuidaram da minha Agnes, aos amigos que me acompanharam e ficaram ao meu lado na minha luta contra o câncer, ao Dr. Arno, um grande médico que com a ajuda de Deus me salvaram várias vezes, e aos enfermeiros que são os verdadeiros anjos que Deus coloca em nossa vida! Enfim agradeço a toda aminha família e meus amigos, e percebi quanto é bom ter pessoas queridas ao nosso lado!

Não esqueça!!!!  Viva  cada minuto como se fosse o último, sem medo de ser feliz, cada momento é único, e viver é um presente Deus, então vamos aproveitar!!!!

Um grande beijo a todos!!!!



terça-feira, 6 de março de 2012

Palestra de Nutrição

A primeira palestra ministrada  por nós do blog "Ostomia sem fronteiras", teve como tema "Alimentação saudável, Nutrição x Ostomia e Nutrição x Câncer", e foi realizada no PAM Várzea do Carmo, no dia 15 de fevereiro de 2012.

Esse dia foi muito especial, pois além de conhecermos pessoas novas que estão passando ou que passaram pelas mesmas dificuldades que nós, pudemos ajudá-las transmitindo os nossos conhecimentos.
















quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Complicações da ostomia


Christiane e Cláudia Yamada

Mesmo com técnicas cada vez mais avançadas, as complicações ainda podem ocorrer, e muitas vezes ocorrem em momentos difíceis para a adaptação do paciente com a sua nova condição.

As complicações das ostomias digestivas podem ocorrer imediatamente após a realização dos mesmos (precoces ou imediatas), ou algum tempo depois (tardias).

O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de uma complicação, e intervenções pontuais são cruciais para manutenção de uma ostomia viável e um bom resultado cirúrgico. A avaliação das complicações periostomais durante o período pós-operatório precoce são fundamentais para uma adaptação bem sucedida a uma nova situação.

A incidência de complicações nos pacientes com colostomia é cerca de metade em relação aos pacientes com ileostomia, e a irritação da pele periostomal é a complicação mais comum nas ileostomias, que ocorre devido ao vazamento de líquidos, geralmente ocasionado pelo mau ajuste da bolsa.

Vários fatores pré-operatórios e intra-operatórios podem contribuir para a ocorrência de complicações precoces pós-operatórias: o mau posicionamento da ostomia pode levar no pós-operatório a uma inevitável morbilidade, incluindo dor, inadaptação do sistema, irritação da pele periostomal, e perturbação da saúde psicológica; a cirurgia emergente frequentemente obriga a colocação de uma ostomia numa localização atípica, muitas vezes sem o benefício da cuidadosa marcação do local da ostomia sob a orientação de um enfermeiro estomoterapeuta; fatores técnicos também afetam o risco de complicações pós-operatórias imediatas. Por exemplo, a habilidade do cirurgião para mobilizar e traccionar o intestino através da parede abdominal influencia a maturação da ostomia. Outros fatores que influenciam o risco de complicações pós-operatórias incluem hipertensão intra-abdominal, a dependência de esteróides, e a mal nutrição.

Complicações precoces
As complicações precoces (ou imediatas) surgem no período intra-hospitalar e geralmente estão ligadas às cirurgias de emergência, nas quais frequentemente não há um planejamento prévio para a realização do ostomia ou ainda, são conseqüências de ostomia mal localizadas ou daquelas executadas por cirurgiões com pouca experiência.
As complicações que se destacam entre as precoces são: a isquemia, a necrose, o edema, a retração, o deslocamento mucocutâneo do ostoma, sepse periestoma e as dermatites.

Sangramento ou hemorragia
Esta complicação ocorre com mais freqüência no período pós-operatório imediato, podendo aparecer na borda da secção do intestino, cessando ao ser suturado.
A hemorragia pode decorrer, ainda, da doença de base que levou à realização do ostoma, ou em consequência do traumatismo local durante o manuseio do ostoma e pele periestoma.
É importante salientar também que o ostoma sangra com facilidade quando é tocado, fato este considerado normal visto que o intestino é muito vascularizado, mas a persistência da hemorragia deve ser comunicado ao médico.

Isquemia e necrose
A isquemia (normalmente ocorre dentro de 24 horas após a cirurgia) e a necrose (definida como a morte do tecido ostomal) caracterizam-se pela alteração da cor do ostoma (normalmente é rosa-escuro ou vermelho-vivo brilhante), resultante da circulação sanguínea deficiente, o ostoma apresenta-se de coloração pálida, evoluindo para um tom violáceo.

Edema
Edema é uma complicação comum, é ocasionada pela mobilização da alça e, pela passagem de um trajeto estreito da parede abdominal, ela pode se tornar imperceptível se a mobilização da alça for realizada de forma delicada e cuidadosa. Habitualmente desaparece ao fim de 2 a 3 semanas.

Deslocamento mucocutâneo
O deslocamento mucocutâneo é uma complicação pouco freqüente e ocorre nos ostomas terminais, caracteriza-se pela deiscência parcial ou total da linha de sutura que une o ostoma à pele da parede abdominal.

Sepse e periestoma
A sepse periestoma é a contaminação do tecido em torno do ostoma, pelo contato permanente ou não do conteúdo da luz intestinal com essa região. Ela se torna problemática quando ocorre o contato permanente da mucosa intestinal com o tecido subcutâneo ou mais profundo da parede abdominal, como por exemplo, nos casos de fístula periestoma.

Complicações tardias
As principais complicações tardias são: as retrações, a estenose e prolapso do ostoma, hérnia paraestomal e a disfunção do ostoma.

Retrações
É o afundamento do ostoma devido a uma excessiva tensão ou ao aumento do peso do paciente.
Esse tipo de complicação causa problemas relacionados ao cuidado do ostoma e pele periostoma, por causa da dificuldade para manter a aderência do sistema coletor. O uso de bolsa coletora de barreira convexa contribui na melhora da qualidade de vida desses pacientes.

Estenose
Estenose com insuficiência de drenagem de efluentes devido ao estreitamento da luz do ostoma, que pode ser devido a causas técnicas ou a recidiva da enfermidade causal. Entre as causas técnicas, a etiologia pode ser a complicação, como necrose, retração ou infecção.

Prolapso
O prolapso pode ocorrer tanto nas ostomias terminais como nas laterais e o segmento intestinal distal é o mais envolvido. Geralmente ocorre em casos de obesidade, aparece com freqüência maior nas colostomias em alça, e seu tamanho pode alcanças longitudes de até 20 cm.

Hérnia paraestomal
A hérnia paraestomal é a protusão de vísceras abdominais pelo trajeto do ostoma, as quais são contidas pelo tecido celular subcutâneo e pela pele, criando um abaulamento ao redor do ostoma. Ocorre mais nas colostomias do que nas ileostomias e a maioria surge nos primeiros dois anos após a cirurgia.
Os fatores que podem favorecer o aparecimento deste tipo de complicação são: fatores gerais, obesidade, aumento de pressão abdominal, envelhecimento e a vida sedentária com redução do tônus muscular.

Disfunção da ostomia
A síndrome de disfunção da ostomia é um conjunto de sinais e sintomas associados ao mau esvaziamento intestinal, que se instala no período pós-operatório mediato, causando dor, desconforto e distensão abdominal.

Fistulas periestomais
As fístulas periostomais aparecem frequentemente em ileostomias e como manifestação de recidiva da doença de Crohn.

Dermatites
A pele periostomal desempenha um papel importante no funcionamento de todo o sistema coletor, pois ela é a superfície à qual adere, e frequentemente as complicações da pele periostomal diminuem a capacidade das placas se anexarem à pele; assim sendo, a qualidade da pele periostomal é muito importante.

Muitas pessoas com uma ostomia experimentam afecções da pele periostomal. Estes problemas são comuns e podem afetar a qualidade de vida, e também podem influenciar a maneira como uma pessoa encara o fato de viver com uma ostomia.

A dermatite periestoma é a causa principal da perda da integridade da pele e pode ocorrer, com maior freqüência, na ileostomia ou colostomia direita.

A qualidade de vida de um doente é influenciada pelas afecções da pele periostomal, e muitos fatores podem contribuir para isso. Primeiro porque existe a dor originada pela própria afecção, a qual pode ser extrema, por exemplo, ao remover a barreira adesiva; segundo porque o aumento nos derrames de efluentes e a sua associação com o mau odor pode resultar num estigma ou embaraço com recusa e afastamento de atividades sociais. 

Finalmente porque o fardo econômico associado às despesas resultantes de consultas especializadas e sacos coletores, secundário às desordens da pele periostomal pode ter um impacto real no indivíduo e na sua qualidade de vida.

O tipo de ostomia e o contato do efluente com a pele são os maiores fatores de risco para as complicações dermatológicas. Os pacientes ileostomizados têm um risco maior de desenvolver complicações na pele periostomal do que os pacientes com uma colostomia.

A urostomia é uma ostomia úmida, isto é, expõe a pele circundante ao produto drenado, neste caso urina. Esta é agressiva para a pele porque a expõe a uma umidade constante e porque dependendo da composição química, a urina pode alterar o ambiente ácido da pele, rompendo o equilíbrio existente. A alcalinidade aumenta a capacidade irritativa da urina, alimentando um ciclo vicioso que termina numa maior frequência de complicações locais como as lesões irritativas dérmicas, ulcerações e estenoses das ostomias, com agravamento da qualidade de vida dos urostomizados.

As alterações mais observadas nessa área da pele são: o eritema ou irritação, a pústula e a úlcera e, dependendo do grau de comprometimento, a dermatite é considerada leve, moderada ou grave.
As dermatites periestomas podem ser classificadas em irritativas ou de contato, alérgica, por trauma mecânico e por infecção.

- Dermatite irritativa ou de contato
Este tipo de dermatite ocorre quando o fluido intestinal ou a urina fica em contato constante com a pele em torno da ostomia, principalmente nas ostomias situadas no plano da pele (raso), sem a adequada projeção do tubo intestinal na parede abdominal.
A dermatite irritativa de contato é uma das complicações mais comuns. Associada com outros fatores, pode desencadear um ciclo de agravamento progressivo de dano na pele, falência da aderência do saco coletor e extravasamento do conteúdo.

- Dermatite alérgica
A dermatie alérgica pode ser provocada por várias substâncias em pessoas sensibilizadas.
Essa sensibilização também pode ser desencadeada pelo uso de elemento do dispositivo, como a barreira adesiva ou plástica, e geralmente ocorre no final de poucos dias do primeiro contato ou após anos de contatos repetidos com o agente sensibilizante.
O uso de dispositivo adequado evita o aparecimento das dermatites.

- Dermatite por trauma mecânico
Este tipo de dermatite está relacionado ao cuidado da ostomia, que pode ser a remoção abrupta da bolsa coletora, a limpeza exagerada da pele e a troca freqüente da bolsa coletora.

 Referências:
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Piquenique


Muitas vezes, ao se tornarem ostomizadas, as pessoas ficam com vergonha, e acabam se isolando e se excluindo dos grupos de amigos, deixando de ter uma vida social.


Porém, uma pessoa ostomizada não precisa viver trancada em casa, ela pode se divertir e continuar fazendo muitas atividades que realizava antes da cirurgia.


Não deixe que a ostomia se torne um problema na sua vida, aprenda a conviver com ela e tente aceitar a sua nova condição de pessoa ostomizada, você verá que é possível ser muito feliz e fazer muitas pessoas felizes.


Abaixo postamos umas fotos de um piquenique realizado por pessoas ostomizadas, ex-ostomizadas e amigos.