E-mail: ostomiasemfronteiras@yahoo.com.br

quarta-feira, 14 de março de 2012

Depoimento de Priscila Buhrer



Um lindo depoimento de  Priscila Buhrer, que com o apoio de familiares e amigos, conseguiu superar as dificuldades, tornar-se uma vencedora e acreditar que ser ostomizada é uma benção.

Olá, meu nome é Priscila, tenho 33 anos, em 2006 após um exame de colonoscopia tive o diagnóstico de câncer de intestino no cólon de sigmóide, então fui submetida a uma cirurgia, onde foi retirado um pedaço do intestino onde estava a doença, meu médico preferiu não fazer radioterapia e quimioterapia, já que  ainda não tinha filhos e havia acabado de  me casar,  com o tratamento poderia ficar estéril.

Após um ano fui liberada para engravidar, em 2008 tive minha pequena Agnes, minha princesinha!!!!

Em 2009 comecei a menstruar de dez em dez dias e com fortes dores lombares, fiz vários exames, então a notícia, estava com câncer novamente,  comecei minha luta, sempre com o apoio de minha família, amigos e dos meus médicos, fiz mais uma cirurgia, o tumor estava no intestino aderido a um dos meus ovários, então foi retirado mais uma parte do meu intestino e o ovário afetado. Após duas semanas de cirurgia comecei o tratamento, fiz radio e quimio, foi um ano de tratamento.

O tratamento acabou em julho de 2010, e como o médico havia previsto, fiquei estéril entrando na menopausa precocemente. Em março de 2011 após uma ressonância, aparentemente a doença havia voltado, fiquei desesperada. Quando estava indo para o centro cirúrgico rezei muito pedi a Deus e a Nossa senhora de Aparecida que me iluminassem, que não fosse nada, então minhas preces foram ouvidas, nenhuma recidiva da doença, meu ovário e útero haviam se atrofiado e colaram no intestino devido a radioterapia. Dias após a cirurgia levei um grande susto em casa, tive uma enorme hemorragia no dreno, uma artéria havia se rompido, fui novamente para o hospital e submetida a uma transfusão, pois perdi muito sangue. No decorrer dos dias foi tudo bem, me recuperei rápido e voltei a trabalhar.

Em  junho após exames foi visto que meu rim esquerdo estava atrofiando, pois não estava passando o líquido para a bexiga devido a uma obstrução no ureter, fui submetida à outra cirurgia para reconstrução do canal do ureter, mas após duas semanas de cirurgia tive uma infecção, fiquei dias no hospital, sentindo um descaso do meu urologista,  pedi ao meu oncologista  que assumisse meu caso, então   voltei para a casa,  mas tive uma fistula na cirurgia onde ficou vazando até outubro, quando começou a vazar fezes, fiquei desesperada então voltei para o centro cirúrgico, o médico procurou a fístula mas não encontrou, fechou a cirurgia, e um dia antes da alta, começou a vazar fezes novamente pelos pontos, fiquei novamente desesperada, pois estava cansada, já havia perdido 15 kg, novamente coloquei minha vida nas mãos de Deus, foi quando descobri o que era ostomia, sai do centro cirúrgico ostomizada, após sair do hospital fiquei meio deprimida, estava mais chateada porque não era o meu normal, sempre fui muito animada e otimista. Então conheci a minha amiga Juliana, pelo facebook, também ostomizada, que ajudou muito na minha adaptação,  me apresentou as MSPG, meninas super legais que também me ajudaram muito.

Hoje voltei a minha vida normal, aprendi que ser ostomizado é uma benção, é uma chance de viver, a ostomia não me atrapalha em nada, viajo, dirijo, trabalho, faço tudo o que gosto!

Agradeço  ao meu marido, mãe, irmã  e tia que cuidaram  com muito carinho de mim, aos meus sogros e cunhado que cuidaram da minha Agnes, aos amigos que me acompanharam e ficaram ao meu lado na minha luta contra o câncer, ao Dr. Arno, um grande médico que com a ajuda de Deus me salvaram várias vezes, e aos enfermeiros que são os verdadeiros anjos que Deus coloca em nossa vida! Enfim agradeço a toda aminha família e meus amigos, e percebi quanto é bom ter pessoas queridas ao nosso lado!

Não esqueça!!!!  Viva  cada minuto como se fosse o último, sem medo de ser feliz, cada momento é único, e viver é um presente Deus, então vamos aproveitar!!!!

Um grande beijo a todos!!!!



terça-feira, 6 de março de 2012

Palestra de Nutrição

A primeira palestra ministrada  por nós do blog "Ostomia sem fronteiras", teve como tema "Alimentação saudável, Nutrição x Ostomia e Nutrição x Câncer", e foi realizada no PAM Várzea do Carmo, no dia 15 de fevereiro de 2012.

Esse dia foi muito especial, pois além de conhecermos pessoas novas que estão passando ou que passaram pelas mesmas dificuldades que nós, pudemos ajudá-las transmitindo os nossos conhecimentos.
















quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Complicações da ostomia


Christiane e Cláudia Yamada

Mesmo com técnicas cada vez mais avançadas, as complicações ainda podem ocorrer, e muitas vezes ocorrem em momentos difíceis para a adaptação do paciente com a sua nova condição.

As complicações das ostomias digestivas podem ocorrer imediatamente após a realização dos mesmos (precoces ou imediatas), ou algum tempo depois (tardias).

O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de uma complicação, e intervenções pontuais são cruciais para manutenção de uma ostomia viável e um bom resultado cirúrgico. A avaliação das complicações periostomais durante o período pós-operatório precoce são fundamentais para uma adaptação bem sucedida a uma nova situação.

A incidência de complicações nos pacientes com colostomia é cerca de metade em relação aos pacientes com ileostomia, e a irritação da pele periostomal é a complicação mais comum nas ileostomias, que ocorre devido ao vazamento de líquidos, geralmente ocasionado pelo mau ajuste da bolsa.

Vários fatores pré-operatórios e intra-operatórios podem contribuir para a ocorrência de complicações precoces pós-operatórias: o mau posicionamento da ostomia pode levar no pós-operatório a uma inevitável morbilidade, incluindo dor, inadaptação do sistema, irritação da pele periostomal, e perturbação da saúde psicológica; a cirurgia emergente frequentemente obriga a colocação de uma ostomia numa localização atípica, muitas vezes sem o benefício da cuidadosa marcação do local da ostomia sob a orientação de um enfermeiro estomoterapeuta; fatores técnicos também afetam o risco de complicações pós-operatórias imediatas. Por exemplo, a habilidade do cirurgião para mobilizar e traccionar o intestino através da parede abdominal influencia a maturação da ostomia. Outros fatores que influenciam o risco de complicações pós-operatórias incluem hipertensão intra-abdominal, a dependência de esteróides, e a mal nutrição.

Complicações precoces
As complicações precoces (ou imediatas) surgem no período intra-hospitalar e geralmente estão ligadas às cirurgias de emergência, nas quais frequentemente não há um planejamento prévio para a realização do ostomia ou ainda, são conseqüências de ostomia mal localizadas ou daquelas executadas por cirurgiões com pouca experiência.
As complicações que se destacam entre as precoces são: a isquemia, a necrose, o edema, a retração, o deslocamento mucocutâneo do ostoma, sepse periestoma e as dermatites.

Sangramento ou hemorragia
Esta complicação ocorre com mais freqüência no período pós-operatório imediato, podendo aparecer na borda da secção do intestino, cessando ao ser suturado.
A hemorragia pode decorrer, ainda, da doença de base que levou à realização do ostoma, ou em consequência do traumatismo local durante o manuseio do ostoma e pele periestoma.
É importante salientar também que o ostoma sangra com facilidade quando é tocado, fato este considerado normal visto que o intestino é muito vascularizado, mas a persistência da hemorragia deve ser comunicado ao médico.

Isquemia e necrose
A isquemia (normalmente ocorre dentro de 24 horas após a cirurgia) e a necrose (definida como a morte do tecido ostomal) caracterizam-se pela alteração da cor do ostoma (normalmente é rosa-escuro ou vermelho-vivo brilhante), resultante da circulação sanguínea deficiente, o ostoma apresenta-se de coloração pálida, evoluindo para um tom violáceo.

Edema
Edema é uma complicação comum, é ocasionada pela mobilização da alça e, pela passagem de um trajeto estreito da parede abdominal, ela pode se tornar imperceptível se a mobilização da alça for realizada de forma delicada e cuidadosa. Habitualmente desaparece ao fim de 2 a 3 semanas.

Deslocamento mucocutâneo
O deslocamento mucocutâneo é uma complicação pouco freqüente e ocorre nos ostomas terminais, caracteriza-se pela deiscência parcial ou total da linha de sutura que une o ostoma à pele da parede abdominal.

Sepse e periestoma
A sepse periestoma é a contaminação do tecido em torno do ostoma, pelo contato permanente ou não do conteúdo da luz intestinal com essa região. Ela se torna problemática quando ocorre o contato permanente da mucosa intestinal com o tecido subcutâneo ou mais profundo da parede abdominal, como por exemplo, nos casos de fístula periestoma.

Complicações tardias
As principais complicações tardias são: as retrações, a estenose e prolapso do ostoma, hérnia paraestomal e a disfunção do ostoma.

Retrações
É o afundamento do ostoma devido a uma excessiva tensão ou ao aumento do peso do paciente.
Esse tipo de complicação causa problemas relacionados ao cuidado do ostoma e pele periostoma, por causa da dificuldade para manter a aderência do sistema coletor. O uso de bolsa coletora de barreira convexa contribui na melhora da qualidade de vida desses pacientes.

Estenose
Estenose com insuficiência de drenagem de efluentes devido ao estreitamento da luz do ostoma, que pode ser devido a causas técnicas ou a recidiva da enfermidade causal. Entre as causas técnicas, a etiologia pode ser a complicação, como necrose, retração ou infecção.

Prolapso
O prolapso pode ocorrer tanto nas ostomias terminais como nas laterais e o segmento intestinal distal é o mais envolvido. Geralmente ocorre em casos de obesidade, aparece com freqüência maior nas colostomias em alça, e seu tamanho pode alcanças longitudes de até 20 cm.

Hérnia paraestomal
A hérnia paraestomal é a protusão de vísceras abdominais pelo trajeto do ostoma, as quais são contidas pelo tecido celular subcutâneo e pela pele, criando um abaulamento ao redor do ostoma. Ocorre mais nas colostomias do que nas ileostomias e a maioria surge nos primeiros dois anos após a cirurgia.
Os fatores que podem favorecer o aparecimento deste tipo de complicação são: fatores gerais, obesidade, aumento de pressão abdominal, envelhecimento e a vida sedentária com redução do tônus muscular.

Disfunção da ostomia
A síndrome de disfunção da ostomia é um conjunto de sinais e sintomas associados ao mau esvaziamento intestinal, que se instala no período pós-operatório mediato, causando dor, desconforto e distensão abdominal.

Fistulas periestomais
As fístulas periostomais aparecem frequentemente em ileostomias e como manifestação de recidiva da doença de Crohn.

Dermatites
A pele periostomal desempenha um papel importante no funcionamento de todo o sistema coletor, pois ela é a superfície à qual adere, e frequentemente as complicações da pele periostomal diminuem a capacidade das placas se anexarem à pele; assim sendo, a qualidade da pele periostomal é muito importante.

Muitas pessoas com uma ostomia experimentam afecções da pele periostomal. Estes problemas são comuns e podem afetar a qualidade de vida, e também podem influenciar a maneira como uma pessoa encara o fato de viver com uma ostomia.

A dermatite periestoma é a causa principal da perda da integridade da pele e pode ocorrer, com maior freqüência, na ileostomia ou colostomia direita.

A qualidade de vida de um doente é influenciada pelas afecções da pele periostomal, e muitos fatores podem contribuir para isso. Primeiro porque existe a dor originada pela própria afecção, a qual pode ser extrema, por exemplo, ao remover a barreira adesiva; segundo porque o aumento nos derrames de efluentes e a sua associação com o mau odor pode resultar num estigma ou embaraço com recusa e afastamento de atividades sociais. 

Finalmente porque o fardo econômico associado às despesas resultantes de consultas especializadas e sacos coletores, secundário às desordens da pele periostomal pode ter um impacto real no indivíduo e na sua qualidade de vida.

O tipo de ostomia e o contato do efluente com a pele são os maiores fatores de risco para as complicações dermatológicas. Os pacientes ileostomizados têm um risco maior de desenvolver complicações na pele periostomal do que os pacientes com uma colostomia.

A urostomia é uma ostomia úmida, isto é, expõe a pele circundante ao produto drenado, neste caso urina. Esta é agressiva para a pele porque a expõe a uma umidade constante e porque dependendo da composição química, a urina pode alterar o ambiente ácido da pele, rompendo o equilíbrio existente. A alcalinidade aumenta a capacidade irritativa da urina, alimentando um ciclo vicioso que termina numa maior frequência de complicações locais como as lesões irritativas dérmicas, ulcerações e estenoses das ostomias, com agravamento da qualidade de vida dos urostomizados.

As alterações mais observadas nessa área da pele são: o eritema ou irritação, a pústula e a úlcera e, dependendo do grau de comprometimento, a dermatite é considerada leve, moderada ou grave.
As dermatites periestomas podem ser classificadas em irritativas ou de contato, alérgica, por trauma mecânico e por infecção.

- Dermatite irritativa ou de contato
Este tipo de dermatite ocorre quando o fluido intestinal ou a urina fica em contato constante com a pele em torno da ostomia, principalmente nas ostomias situadas no plano da pele (raso), sem a adequada projeção do tubo intestinal na parede abdominal.
A dermatite irritativa de contato é uma das complicações mais comuns. Associada com outros fatores, pode desencadear um ciclo de agravamento progressivo de dano na pele, falência da aderência do saco coletor e extravasamento do conteúdo.

- Dermatite alérgica
A dermatie alérgica pode ser provocada por várias substâncias em pessoas sensibilizadas.
Essa sensibilização também pode ser desencadeada pelo uso de elemento do dispositivo, como a barreira adesiva ou plástica, e geralmente ocorre no final de poucos dias do primeiro contato ou após anos de contatos repetidos com o agente sensibilizante.
O uso de dispositivo adequado evita o aparecimento das dermatites.

- Dermatite por trauma mecânico
Este tipo de dermatite está relacionado ao cuidado da ostomia, que pode ser a remoção abrupta da bolsa coletora, a limpeza exagerada da pele e a troca freqüente da bolsa coletora.

 Referências:
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Piquenique


Muitas vezes, ao se tornarem ostomizadas, as pessoas ficam com vergonha, e acabam se isolando e se excluindo dos grupos de amigos, deixando de ter uma vida social.


Porém, uma pessoa ostomizada não precisa viver trancada em casa, ela pode se divertir e continuar fazendo muitas atividades que realizava antes da cirurgia.


Não deixe que a ostomia se torne um problema na sua vida, aprenda a conviver com ela e tente aceitar a sua nova condição de pessoa ostomizada, você verá que é possível ser muito feliz e fazer muitas pessoas felizes.


Abaixo postamos umas fotos de um piquenique realizado por pessoas ostomizadas, ex-ostomizadas e amigos.













segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Câncer de intestino


Câncer de intestino
Christiane e Cláudia Yamada

Ao se analisar a distribuição proporcional da ocorrência de casos de câncer na população brasileira, observa-se que o câncer do intestino grosso (cólon, reto e ânus), encontra-se entre os dez primeiros tipos de câncer mais incidentes e trata-se do mais frequente do aparelho digestivo. Além de estar afetando uma população cada vez mais jovem.

É o terceiro tipo de câncer mais comum, após o câncer de mama e pulmão nas mulheres e do câncer de próstata e pulmão nos homens, com exce­ção do câncer de pele.

Muitas vezes o câncer de cólon e reto se desenvolve sem sintomas que possam alertar os pacientes para um tratamento precoce; e como o diagnóstico do tumor do intestino geralmente é tardio, em alguns casos só é confirmado na cirurgia. Assim mesmo, são cânceres que uma vez detectados podem apresentar um bom índice de cura.

Seus sintomas podem estar ausentes ou ainda serem interpretados como pertencentes a vários outros quadros clínicos. Alguns sintomas ou sinais que podem denunciar a presença de tumores de cólon e reto: sangramento anal, eliminação de muco junto com as fezes, modificação do ritmo de evacuações, dores localizadas nos trajetos do intestino grosso, aumentos localizados no abdome.

Todos ou alguns desses sinais ou sintomas podem estar presentes, assim como o paciente também pode ser portador de um tumor sem que algum sinal ou sintoma seja constatado. Somente à medida que o tumor progride é que os sintomas tornam-se mais frequentes.

Seria conveniente que todo indivíduo que tivesse alguma dessas queixas procurasse o profissional da saúde para esclarecer a causa.

O câncer colorretal, também chamado de carcinoma, tem origem na camada interna do intestino grosso, a camada mucosa. O processo que leva à formação de um carcinoma pode levar vários anos. Antes da transformação em carcinoma, a maioria dos tumores se origina a partir de pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos. Esses pólipos, apesar de benignos, são considerados precursores dos carcinomas colorretais.

Tanto os pólipos como os carcinomas em fases iniciais costumam quase não causar sintomas. Nesse sentido, o rastreamento é fundamental, já que tem como principal objetivo detectar a doença em fase inicial, muitas vezes ainda antes da completa transformação em carcinoma invasor. Com isso as chances de cura se tornam muito mais elevadas.

A colonoscopia é o principal exame para o rastreamento do câncer colorretal. Consiste no estudo endoscópico do intestino grosso, ou seja, a introdução de uma câmera flexível pelo ânus. Durante a colonoscopia é possível detectar e remover, na maioria das vezes, os pólipos intestinais e encaminhar para a biópsia. Uma das maneiras mais eficazes de se evitar o aparecimento de câncer colorretal é a remoção dos pólipos por meio da colonoscopia.

O objetivo do rastreamento não é diagnosticar mais pólipos ou mais lesões planas, mas sim, diminuir a incidência e mortalidade por câncer do intestino. O exame colonoscópico é reservado a pacientes com pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva (e a origem do sangramento não foi detectada pelo toque retal ou retossigmoidoscopia) e para população de risco moderado ou alto de desenvolvimento para câncer do intestino.

Existe uma parte da população chamada de "população de risco"; que são os indivíduos que tem ou tiveram familiares com tumores do aparelho digestivo ou, mais exatamente, do intestino grosso. Eles têm um risco três vezes maior de apresentarem a doença, pois o câncer de intestino geralmente esta associado a condições hereditárias, como a Polipose Adenomatose Familiar.

As chamadas doenças inflamatórias intestinais são raras em suas formas mais severas, mas também apresentam um risco elevado para a ocorrência do câncer colorretal, após alguns anos de evolução da doença. Estas doenças incluem a retocolite ulcerativa inespecífica e a doença de Crohn.

Os indivíduos com história pregressa de adenomas, câncer de mama, ovário, endométrio, portadores de colite ulcerativa e doença de Chron também apresentam um grande risco de desenvolver câncer de intestino.

Entre os fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de intestino encontra-se, principalmente, a idade (sendo a maioria dos casos diagnosticada após os 60 anos) assim como os hábitos de vida inadequados, como: dieta baseada em consumo excessivo de carne vermelha, rica em gorduras, alimentos com aditivos, conservantes e corantes, pobre em fontes de fibras (frutas e verduras), consumo exagerado de bebidas alcoólicas, falta de exercícios físicos regulares (sedentarismo), tabagismo, obesidade, doença inflamatória crônica do intestino (colite ulcerativa ou doença de Crohn).

Ter uma dieta balanceada, rica em frutas e verduras, praticar regularmente exercícios físicos e não fumar representam medidas de grande benefício para o controle da obesidade, de doenças cardiovasculares, e também do câncer, principalmente, quando iniciadas na juventude

As recomendações atuais para o rastreamento do câncer colorretal incluem todas as pessoas acima dos 50 anos de idade, independentemente de apresentarem sintomas. No entanto, pacientes mais jovens, com histórico familiar de câncer, também devem ser avaliados, a detecção precoce deste câncer, é curado em mais de 70% quando tratado em fase inicial.

O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor e da saúde geral do paciente. Os pacientes são freqüentemente tratados por uma equipe multidisciplinar de especialistas, que poderá ser formada por um gastroenterologista, um cirurgião, um oncologista clínico e um oncologista radioterapeuta. Variados tipos de tratamentos são utilizados sendo que algumas vezes há a combinação de uma ou mais formas de tratamento.

A cirurgia é necessária em praticamente todos os casos e pode ser a única forma de tratamento, nas fases muito iniciais, porém, nem sempre é a primeira forma de tratamento. A sequência correta é baseada na localização do tumor e no estadiamento e deve ser muito bem planejada por uma equipe experiente. A cirurgia se baseia na remoção do segmento acometido do intestino grosso, com margens de segurança adequadas.

Em muitos casos de tumores do reto, pode ser necessária a realização de uma colostomia ou ileostomia. Isso significa a exteriorização (“colocar para fora”) do intestino na parede abdominal para saída de fezes. Na grande maioria das vezes, a colostomia ou a ileostomia são provisórias, mas às vezes pode ser definitiva. A necessidade desse procedimento depende de vários fatores, sendo o principal deles a proximidade do tumor em relação ao ânus.

Avanços nas técnicas cirúrgicas, assim como na radioterapia e na quimioterapia, têm permitido a ampliação das possibilidades de preservação da função evacuatória por via anal. O câncer de cólon e reto é uma das várias razões que leva a confecção de um ostoma.

Já os avanços no tratamento combinado, incluindo quimioterapia e radioterapia, permitem ampliar a indicação da abordagem curativa, mesmo em casos avançados da doença.

O cuidado no acompanhamento após o tratamento do câncer colorretal é importante para assegurar que as alterações de saúde sejam relatadas e para o diagnóstico precoce e tratamento adequado de recidivas ou novos tumores. As avaliações poderão incluir, além do exame físico: colonoscopia, raio-X de tórax, testes laboratoriais e exames radiológicos como ultra-sonografia e tomografia.

O câncer é uma doença que geralmente causa aos indivíduos várias limitações, seja pela doença ou pelo tratamento. Essas limitações associadas à idade podem atingir proporções difíceis de serem contornadas, gerando muitas vezes incapacidade com um grau de dependência total.

O suporte emocional é extremamente importante para promover melhor qualidade de vida dos doentes.

No Brasil, com o aumento da expectativa de vida da população, as neoplasias vêm ganhando cada vez mais importância no perfil de morbidade e mortalidade.

Referências:

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and rationale – Update based on new evidence. Gastroenterolgy 2003;124:544-560.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Falando sobre câncer do intestino / Instituto Nacional de Câncer, Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Sociedade Brasileira de Cancerologia, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. - Rio de Janeiro: INCA, 2003.

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DANI, R. Gastroenterologia essencial. 2a edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. p. 1205.

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LIMA, S. G. T. Complicações das ostomias: prevenção e tratamento. Rev. Enfermagem Atual, v.2, no 10, p. 20-23, jul./ago. 2002.

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MINISTÉRIO DA SAÚDE 2003Falando sobre o câncer do intestino Disponível em < http://www.inca.gov.br/publicações. Acesso em 02 de abril de 2004

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Depoimento de Meiry Andrade Oliveira

Acompanhe o emocionante depoimento de Meiry Andrade Oliveira, que apesar de toda dificuldade, nunca desistiu e continua lutando até hoje. Uma verdadeira guerreira e vitoriosa.


Sou Meiry, tenho 43 anos, e em outubro de 2000, tive diagnostico médico: câncer de reto. Perdi o chão, o mundo desabava sobre mim,....... Feito 64 seções de radioterapia+ químio para regredir o tumor, 10 de janeiro de 2001 a primeira cirurgia, muitas complicações e sofrimentos levavam-me a uma batalha travada entre a vida e a morte. Não perdia as esperanças a cada ida e vinda de hospitais.
Em julho do mesmo ano outra batalha. Fui para São Paulo ao HC, já com forte hemorragia, sobrevivendo apenas com 2,3 de sangue no organismo, tendo convulsões + parada do rim direito. Relatar do médico: levem-na para a Bahia, pois a certeza só de uns 15 dias de vida. Mesmo debilitada, falei vou sim e minha história não vai ser resumida nestes 15 dias e sim há muitos anos, pois sei que a palavra final não é de vocês e sim de um Deus que eu acredito que tudo pode!!!
Desembarquei no Aeroporto de Salvador no dia seguinte, lá minha família me aguardava, fui as pressas para o hospital levada diretamente para UTI feita transfusão com 12 bolsas de sangue diagnostico: Cistite Actínica Crônica na bexiga, sequelas da rádio. Foram 2 meses internada em tratamento com cauterização + Hiperbárica!
Ano de 2002, em decorrência de muitas fístulas na bexiga, a urina espalhou-se no abdômen, com fortes dores estava eu mais uma vez num centro cirúrgico. Fiquei 3 meses em uso de um Duplo J, um cateter foi introduzido entre a coluna para medicação onde eu ficava anestesiada pelo motivo das fortes dores.
Bem, pela misericórdia de Deus venci mais uma vez!!! Passei a fazer exames de controle, Janeiro de 2009 fui pega mais uma vez com sintomas de fortes diarréias, febre de 39 graus, perda de peso.........Fui internada outra vez, muitos exames, UTI, Semi Intensiva nem lembro quantas vezes, 3 meses se passaram dentro de um hospital até que descobriram que a diarréia era por motivo de mais fístulas na bexiga, na qual a urina passou a misturar-se com as fezes daí um quadro muito grande de infecção onde fui submetida a outra cirurgia para retirada da bexiga, 9 horas num centro cirúrgico com uma equipe médica. Vim ter noção do acontecido depois de 5 dias.
Estava eu urostomizada, passando a usar bolsa coletora de Urina !!! Foi um baque, pois não tinha noção nem conhecimento como aprender a viver com aquela situação ( leiga de tudo) Mas graças a Deus, ergui a cabeça e falei : Vou vencer e superar tudo isso!!! Outubro de 2011 outra cirurgia para correção de 3 hérnias incisional no abdômen. Exames já prontos, muita fé, coragem, apoio da minha família e amigos, já estou partindo para outra onde tem que ser feita um melhor posicionamento do estoma + correção de hérnia paraestomal.
Tenho 3 filhos, o primogênito ao completar 20 anos foi diagnosticado com um tumor de reto tbm, fez cirurgia + biópsia. Pela misericórdia de Deus foi a tempo do pior não ter acontecido, hoje aos 23 faz exames de controle assim como eu.
Dentre todos os acontecimentos este foi só um resumo do longo destes 12 anos de lutas, levo uma vida quase que normal, rsssssssss, Tenho Uma experiência de vida onde a doença não deteve meus limites, Minha Fé, Coragem, Perseverança e acima de tudo meu Agradecimento a um Deus maravilhoso pela chance de estar viva,....... faço parte da ABO (Associação Baiana dos Ostomizados), Para quem tinha apenas 15 dias de vida, rssssssssssss. Cheguei aos 43 anos, espero ainda +++.....se assim for da vontade do Pai. Muito obrigada pelo espaço criado. Deus abençoe a todos
Forte abraço

Gazeta do Povo publica matéria com presidente da Associação Paranaense dos Ostomizados (APO)

 
   Gazeta do Povo publica matéria com presidente da Associação Paranaense dos Ostomizados (APO)
  Luiza Helena Ferreira Silveira falou sobre a superação da ostomia a um dos maiores veículos impressos do estado do Paraná. Confira a matéria na íntegra:


  Bolsas que conseguem devolver a vida
 Dâmaris Thomazini


Nos tempos em que se dedicava às atividades de artesã, com as mãos ocupadas entre as agulhas e linhas de bordado, há 12 anos, Luiza Helena Ferreira Silveira, sabia vagamente o que eram pessoas ostomizadas. Mas a luta contra um câncer fez com que ela se aproximasse desta deficiência e vivesse na pele essa realidade.
Os ostomizados são pacientes que passaram por uma cirurgia para a abertura de um orifício (ostoma) no corpo. Esta passagem – de aparência vermelho-vivo como a mucosa da boca – comunica o interior do organismo com o exterior para entrada de ar e de alimentos ou para eliminação de necessidades fisiológicas.
Diagnosticada com câncer no reto aos 44 anos e com risco de a doença se espalhar para os pulmões e o fígado, a artesã foi amputada e perdeu o reto e o sigmóide – parte que liga o intestino grosso ao reto. Desde então, ela passou a conviver com a condição de colostomizada e utiliza a todo o momento uma bolsa que armazena os dejetos do organismo.
O preconceito é o principal problema para os ostomizados, segundo Luiza Helena. “Temos histórias de familiares que discriminam o ostomizado. As pessoas acham que manipulamos os próprios dejetos, o que não é  verdade”, diz, lembrando que ninguém está livre de ser portador desta deficiência.
Na época do câncer, sua maior motivação para vencer os desafios de ser portadora de ostomia era poder ver a chegada de seu terceiro neto. “Fiz um pacto com Deus para que Ele, pelo menos, permitisse que eu conhecesse meu neto, nascido depois da cirurgia”, conta Luiza, que é mãe de quatro filhos e avó de cinco netos. “Usar a bolsa para sempre não era o que mais me preocupava: eu queria me curar do câncer e ter chances de viver mais tempo. Nessa situação, você prefere usar uma bolsa a morrer.”
Para viver melhor com a ostomia, Luiza precisou alterar alguns hábitos, principalmente em sua dieta. “Passei a consumir alimentos que prendem o intestino para não passar por situações desagradáveis”, explica ela. 

Pessoas nesta situação não têm controle sobre o esfíncter – músculo capaz de controlar a eliminação das necessidades fisiológicas. Assim, o intestino e o sistema urinário funcionam independentes da sua vontade.

Hoje, aos 56 anos, ela ainda se dedica ao bordado, mas divide o tempo com as responsabilidades da presidência da Associação Paranaense de Ostomizados (APO) – instituição que há 21 anos apoia os portadores desta deficiência. “É gratificante ajudar as pessoas a perceberem que elas podem viver melhor mesmo com a ostomia. Esta é uma deficiência não aparente. Se não revelarmos, ninguém sabe que somos ostomizados”, afirma ela.
Bê-á-bá
Abertura 
Estoma ou ostoma é um orifício criado por meio de uma cirurgia. Ele comunica a parte interna do corpo com o exterior. Pode ser definitivo ou temporário. A pessoa pode ser ostomizada devido ao câncer, inflamações, má formação dos órgãos ou traumatismos por arma de fogo ou arma branca.

Colostomia 
Comunicação do intestino grosso para eliminação das fezes.
Ileostomia 
Comunicação do intestino delgado para eliminação das fezes.
Urostomia 
Criação de trajeto alternativo para eliminação da urina.
Gastrostomia 
Comunicação do estômago com uma sonda, que facilita a nutrição e a administração de líquidos.
Traqueostomia 
Abertura na traqueia para facilitar a respiração.