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sábado, 14 de janeiro de 2012

Ostomia na terceira idade


Christiane e Cláudia Yamada

Ser idoso, não é ter somente limites, mas aprender a conviver com esses limites, e mesmo tendo a idade avançada e apresentando as características da velhice, tentar ser ativo e participativo.

O surgimento de algumas alterações funcionais ou estruturais pode representar para os idosos uma ameaça ao seu bem-estar e a sua auto-estima, refletindo diariamente no seu convívio consigo e com a sociedade.

Em algumas situações do envelhecer, as alterações fisiológicas podem unir-se a algumas doenças e acarretar o surgimento de processos cirúrgicos, como por exemplo, as cirurgias intestinais ou urinárias, que dão início a um processo de vida diferente pelo uso da bolsa coletora de fezes ou urina, direcionando o idoso a uma constante adaptação.

A maioria dos indivíduos, após a realização da ostomia, vivencia os estágios emocionais de negação, ira, barganha, depressão e aceitação. O pessimismo também se faz parte, devido aos sentimentos de baixo auto-estima e desânimo diante das dificuldades.

A estomização pode trazer incerteza à pessoa idosa, por conta das mudanças que ocorrem em seu corpo e das novas responsabilidades que surgem com a ostomia. Os pacientes idosos geralmente necessitam de auxílio para manusear o equipamento e de estímulo para realizar a limpeza da pele periostomal, devido ao grau de diminuição da visão, dificuldade auditiva e a dificuldade com habilidades que requeiram coordenação motora.

Alguns idosos têm uma percepção negativa de si, por se visualizarem como pessoas incapacitadas e, assim, podem não se aceitar como ostomizado, pois ele acha que não poderá participar ativamente das atividades sociais e, com isso, se sente inválido e dependente do outro, e acabam preferindo a morte à ostomia.

Além de, muitas vezes, ele mesmo se sentir no final de sua caminhada, sem esperança para viver ou ser feliz. Visto sob esse aspecto, o idoso ostomizado necessita de serviços de saúde especializados, que forneçam informação, suporte técnico e emocional adequados, por isso, é importante informar-lhes sobre a existência de um serviço de estometerapia.

A não-aceitação, por parte do idoso ostomizado da sua condição de saúde, pode levar, à negação dos problemas e à rejeição do tratamento, muitas vezes, pelo constrangimento imposto por sua situação, ou por possíveis complicações, resultando em um agravo que poderá se tornar irreversível. Cabe ao profissional de saúde esforçar-se para fazer com que essas pessoas tenham a devida adesão ao tratamento e que essa visão distorcida seja transformada.

É necessário proporcionar ao idoso ostomizado, novas formas de adaptação; mostrando a sua importância como cidadão, que ele pode ser ativo e detentor de uma grande experiência de vida e que esta vida após a cirurgia não acaba, apenas recomeça uma nova, com outros desafios que, se aprendidos, deixam de ser desafios.

É preciso ajudá-lo a não se sentir o único, a buscar apoio nas pessoas que passaram pela mesma situação, para adaptar-se ao seu novo estado. Estimulá-lo à participação em grupos, que proporcionem a oportunidade da discussão, da troca de experiências e o direcionem a uma vida mais feliz e mais plena.

A participação do idoso nos grupos de apoio torna-se necessária, pois serve de abertura à discussão e o reconhecimento de seu espaço na sociedade, ajudando-o a adquirir autonomia para transformar sua realidade. Além de contribuir na promoção, na proteção e no controle das situações estressantes causadas pela doença, originando um espaço complementar de troca de informações e de estimulo social.

O idoso ostomizado, que participa de um grupo, poderá ser capaz de tornar-se agente de seu cuidado, passando a se autocuidar com mais segurança.

Nesse momento, o apoio da família é muito importante no processo de adaptação ao estoma e à nova vida, auxiliando no cuidado específico, porém, quando os idosos se submetem à realização de uma ostomização, muitas vezes os seus familiares não aceitam a situação e ficam com medo no cuidado do estoma. Na ausência de um familiar, é importante que uma pessoa de confiança do paciente esteja presente durante o processo do cuidado.

Cuidar do idoso ostomizado, com suas limitações, significa estimulá-lo ao autocuidado, à autodeterminação e a sua independência frente às escolhas que necessita realizar junto à sociedade e sua família. Além de compreender as suas limitações, e possibilitar a reintegração social, permitindo-lhe uma melhor aceitação da sua nova imagem corporal e melhor entendimento da nova situação.

A reabilitação do ostomizado visa a restituir-lhe as atividades de convívio social e melhorar sua qualidade de vida diante do impacto da aquisição do estoma. Esse momento caracteriza-se por uma primeira etapa, na qual transcorre a aceitação do estoma pelo idoso e, com isso, ele necessita entender que o estoma foi confeccionado com o intuito de preservar sua saúde.

 Uma estratégia de reabilitação para o idoso ostomizado, é fazê-lo perceber que não está sozinho e compartilhar as experiências e as transformações em suas vidas; e uma outra alternativa é estimular a mudança de atitude e reinserção dele no meio familiar e social.

Ensinar a conviver com a ostomia é um processo multidimensional, abrangendo não só os idosos, mas sua família, sem contar a necessidade de estimular diariamente à promoção de qualidade de vida.

Muitas vezes, o idoso ostomizado apresenta dificuldades no manuseio dos acessórios de cuidado com estoma, seja por déficit motor, seja por receio ou por compreender a estomização como uma etapa complicada ou complexa em sua vida, por isso, é importante a presença de um familiar ou amigo para auxiliá-lo no cuidado ou na manutenção de sua autonomia.

Muitos idosos, apesar de realizarem suas atividades diárias sem necessitar de auxílio, apresentam dependência no cuidado com as ostomias. Isso pode ser por causa da família ou do próprio idoso em acreditar que um idoso doente se torna incapaz ou não é apto para realizar seu cuidado, e o cuidado superprotetor pode torná-lo cada vez mais dependente. É importante lembrar que é necessário um determinado tempo para que os idosos se adaptem com os cuidados e com a ostomia.

Os cuidados empregados com a bolsa e com a pele peri-estomal são importantes, pois os produtos usados na manutenção da ostomia e a prevenção das complicações auxiliam na qualidade de vida do idoso ostomizado. Devido às mudanças que ocorrem com o avançar da idade, a pele e o tecido subcutâneo tornam-se finos, e a pele se irrita com mais facilidade, gerando uma maior preocupação quanto ao cuidado com a pele no idoso ostomizado.

As dificuldades do ostomizado idoso e seus familiares para continuidade do cuidado após a alta hospitalar, ocorrem em todos os aspectos, sejam físicos, emocionais ou sociais, tanto da sua vida como da família. Por isso, é importante que uma pessoa capacitada, no caso o enfermeiro, de orientações sobre: o processo de adaptação e uso da bolsa coletora, o cuidado com a ostomia e com a alimentação adequada, além de encaminhá-lo e estimulá-lo a participar de um grupo de apoio, que possa ajudar os ostomizados a conviverem com esta nova situação.

O ostomizado precisa adaptar-se a essa nova situação em busca da harmonia e da restauração das suas forças, pois a diminuição da autoestima faz com que alguns ostomizados retraiam-se e busquem o isolamento como forma de autodefesa, provocando alterações de ordem física, psicológica, social e espiritual, além de alterações na sua imagem corporal, fazendo com que eles necessitem de cuidados específicos para conseguirem sua reinserção social.

Os processos de auto-estioma, autocuidado e auto-organização são possíveis, quando o idoso ostomizado identifica sua posição de importância junto aos demais ostomizados e sua família, e quando ele se sente acolhido e mais seguro para desempenhar os cuidados aprendidos.

A aceitação do estoma pelo idoso, apesar da falta de conhecimento e medo inicial, surge do convívio com outros ostomizados, do incentivo recebido pelo serviço de estomaterapia e da presença dos familiares e amigos, ajudando-os no enfrentamento.

Referências

ABREU JÚNIOR, L. Conhecimento Transdisciplinar: o cenário epistemológico da Complexidade. Piracicaba: Unimep, 1996. 203p.

BAREG,G. B.; SMELTZER, C. S. Brunner & suddarth tratado de: enfermagem médico-cirúrgica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. p.980

BARROS, E. J. L. O ser idoso estomizado sob o olhar complexo: uma proposta de gerontotecnologia educativa/Edaiane Joana Lima Barros – Rio Grande: FURG/PPGENF, 2007. 136p.

BECHARA, R. N; et Al.Abordagem Multidisciplinar do Estomizado. Revista Brasileira Coloproct. [S.l]. v.25,n.2, p.146-149. 2005.

DUARTE, O. A. Y.; DIOGO, D. J. M. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico.  São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Atheneu, 2000. p.630.

GARCIA, M. A. A. et Al. Atenção à saúde em grupos sob as perspectiva dos idosos. Revista Latino Americana de Enfermagem, v.14, n.2, p.175-82, mar/abr, 2006.

GOMES, G. C.; FARIAS, D. H. R.; ZARPAS, S. Convivendo com uma ostomia: conhecendo para melhor cuidar. Revista Cogitare Enfermagem. [S. l]. v.9, n.1. p. 25 – 32, 2004.

LEUCKENOTTE, A. A Avaliação em gerontologia. 3ª edição. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso editores, 2002. p. 385

PETRAGIL, I. A complexidade do sujeito que envelhece (Prefácio). In: O ensino da enfermagem gerontogeriátrica no Brasil de 1991 a 2000 à luz de complexidade de Edgar Morin. SANTOS. S. S. C. Florianópolis: USFC/PEN, 2003. 200 p. Série teses, 44.

SANTOS, S. S. C. O ensino da enfermagem gerontogeriátrica no Brasil de 1991 a 2000 à luz de complexidade de Edgar Morin. Florianópolis: USFC/PEN, 2003. 200 p. Série teses, 44

SILVA, A. L. da; SHIMIZU, H. E. O significado da mudança no modo de vida da pessoa com estomia intestinal definitiva. Revista Latino Americana de Enfermagem, v. 14, n.4, p. 483-90, jul-ago/2006.

SILVA, Maria José Maciel. Avaliando o grau de dependência do idoso ostomizado/ Maria José Maciel Silva. Curitiba, 2004. 87p


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Depoimento de Sandra Martins

Acompanhem a linda história de luta e superação de Sandra Martins, uma mulher ostomizada, que engravidou, mesmo ouvindo de vários médicos que não poderia engravidar, e deu a luz a um lindo menino, o Samuel!
Eu nasci com uma deficiência e tive que passar por varias cirurgias para poder reparar, mas sem sucesso, tive que ficar com a colostomia definitiva. Passei por varias adaptações, não conseguia olhar para ostoma porque tinha repulsa, por isso passei por vários psicologos, para poder me conformas e me adaptar com a colostomia, que naquele tempo não era tão divulgado como hoje. Além disso, não existia bolsa coletora, por isso minha mãe comprava saquinhos de festa em uma fabrica e fazia o buraquinho da ostoma!!rssss e assim fui crescendo, estudei me formei sou formada em técnica de enfermagem, casei e tive meu primeiro e único filho.
Os medicos diziam que eu não poderia engravidar, mas quem dá a ultima palavra é o senhor. Passei por vários especialista mas todos me diziam a mesma coisa!!! Porém, eu perseverei e fui a luta. Pedi a Deus que me desse um filho e ele me deu (confundiu ate os médicos, quem dá a ultima palavra não é o homem  e sim DEUS).
A minha gestação foi tranquila sem problemas graças a deus, mas a minha medica resolveu me colocar de licença porque onde eu trabalhava tinha que subir uma ladeira e eu não podia fazer esforço fisico, porque nós ostomizados podemos ter um prolapso, ou seja, a colostomia soltar para fora, e para agravar eu tinha útero bicorno, que facilitava um aborto. Então entrei de licença auxilio doença com 5 meses de gestação. 
Já, o parto foi superrrrr complicado mas Deus estava com a mão posta sobre mim. Os médicos queriam que eu tivesse parto normal, mas eu tinha muito medo porque teria que fazer força e poderia haver um prolapso. E eles tinham medo de fazer cesárea e encontrar aderencias pelas cirurgias feitas que foram 16. Porém, o Samuel sentou com 8 meses e a cesárea foi inevitavel. A cesárea já estava marcada, porém a minha bolsa estourou em casa. E aí começaram as complicações, a anestesia não pegava de jeito nenhum e tiveram que colocar um dreno. Depois disso comecei a ter falta de ar, quando abriram a minha barriga estava tendo uma parada cardio respiratoria. Então fui entubada e não vi samuel nascer. Acordei com os médicos me espetando, acho que com muitas anestesias eles tiveram medo de ter lesionado minha coluna. Depois disso tive uma hemorragia severa e tive que tomar sangue. Por fim consegui ver o rostinho do meu filho!!! Fiquei 15 dias internada. E tudo isso que passei valeu a pena quando vi meu filho, e sabia que nada de mal me aconteceria porque quem tomava conta de mim e dele era o maior e soberano de todos o rei dos reis Jesus Cristo de Nazare.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo

Queridos amigos...mais um ano está chegando ao fim...e um novo ciclo se inicia!!!  

A cada dia de nossas vidas aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, mas o importante é que sempre estamos aprendendo e vivendo algo novo! 

Que no ano que se inicia a fé e a esperança permaneçam em nossos corações, e possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus! 

O mais interessante na nossa vida é olharmos para trás e sentirmos orgulho de nossas histórias!!!  Então, independente de problemas de saúde, familiar, financeiro, emprego...precisamos ir a luta e em busca de novas realizações!!! Precisamos viver cada momento como se fosse o último de nossas vidas, correr em busca de nossa felicidade sempre!!! 

Que em 2012 nós sejamos persistentes em  nossos sonhos, tenhamos a alegria de buscá-los e a felicidade de encontrá-los!!! Desejo a todos vocês um Ano Novo repleto de saúde, paz, amor, conquistas, realizações e muito sucesso!!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ostomia infantil

As crianças têm diferenças biológicas, emocionais, sociais e culturais, durante cada fase de seu desenvolvimento e crescimento; e qualquer condição que ameace a sua integridade corporal ou a sua auto-imagem, é percebida e reagida de maneira diferente em cada faixa etária.

A relação criança-família é muito importante em todas as etapas do seu desenvolvimento físico e psicoemocional, principalmente quando se ocorre a mutilação – neste caso, através da formação de um estoma.

Quanto mais precoce for a abordagem de pais e crianças sobre a doença, maiores serão as chances de se estabelecer um vínculo de confiança, otimizando o tratamento clínico e contribuindo para um crescimento mais saudável.

Nas crianças, as ostomias podem ser indicadas como tratamento de malformações congênitas, traumas, doenças inflamatórias e neoplasias do trato gastrointestinal, respiratório e sistema urinário. Dependendo do processo patológico e da sua evolução, as ostomias podem ser permanentes ou temporárias.

A realização de um estoma na criança pode afetar a integridade corporal, a capacidade funcional, o convívio social e a qualidade de vida em geral, podendo gerar grande impacto no seu cotidiano e dos seus familiares, além de alteração psicológica em que a criança precise de apoio para expressar as suas emoções e sentimentos.

Entre as atividades afetadas também estão relacionadas as atividades diárias, que fazem parte do contexto infantil, especialmente as básicas como: banho, vestuário, alimentação, uso do banheiro, higiene oral e comunicação.

As atividades de lazer também podem ser prejudicadas, como por exemplo, algumas atividades de jogos e brincadeiras, porém as crianças portadoras de estomas intestinais podem nadar, ir à praia, brincar, andar de bicicleta, enfim, desenvolver quase todas as atividades próprias da idade.

As limitações sociais, físicas e de lazer impostas às crianças com ostomias podem estar relacionadas à qualidade dos dispositivos coletores. A preocupação excessiva sobre a possibilidade da bolsa descolar pode acarretar insegurança, vergonha e medo na criança, afetando suas atividades.

A atitude dos pais junto à criança é de fundamental importância. Ela deve receber e perceber sentimentos de amor e paz, e não de ansiedade e insegurança. Crianças privadas de amor ou rejeitadas desenvolvem auto-imagem negativa, perdem a autoconfiança e têm dificuldade de adaptação. Por outro lado, os pais que aceitam o estoma do filho como situação temporária ou recurso que permitiu a sua sobrevivência, transmitirão segurança, e a criança certamente desenvolver-se-á normalmente.

Após a realização de cirurgia, as crianças e suas famílias começam a preparar-se para enfrentar uma nova realidade, que é o lidar com o estoma. Nesse momento, elas passam a receber orientações, principalmente sobre os cuidados necessários e como tudo é desconhecido, os sentimentos de medo e de incerteza são freqüentes. Os pais podem ter dificuldade para cuidar da criança, principalmente porque cuidar do estoma não fazia parte da sua rotina, além da ansiedade e medo de segurá-la, devido as modificação da imagem corporal da criança, com a visualização do estoma e mudança do local de evacuação.

O cuidado da criança com estoma exige das famílias a aquisição de novas habilidades que não faziam parte do seu cotidiano e com isso, elas acabam necessitando de apoio dos profissionais envolvidos nessa assistência. Como por exemplo, lidar com os diferentes dispositivos.

Assegurar aos pais o conhecimento dos procedimentos realizados proporciona maior segurança e tranqüilidade para a sua realização. A equipe de saúde deve respeitar a fase de adaptação de cada familiar, inserindo-os de forma gradual no cuidado da criança. O enfermeiro é responsável em assegurar que os pais obtenham informações corretas, compreendam as informações e as usem adequadamente.

O autocuidado deve ser estimulado, é importante permitir que a criança participe da troca do dispositivo e da higiene, essa participação fará com que a criança se sinta mais segura e diminuirá o medo relacionado à sua nova condição, porém é imprescindível que os familiares observem a criança para evitar situações em que ela possa sentir-se ridicularizada. A higiene deve ser rigorosa assim como a perfeita adaptação da bolsa ao estoma, evitando o extravasamento de fezes e o odor desagradável que certamente causarão constrangimento à criança.  É importante também o familiar criar rotinas de esvaziamento da bolsa, antecipando o vazamento. O uso do cinto é recomendável como suporte do peso da bolsa.

Se a ostomia muda a vida de um adulto, imagina para uma criança que necessita da ajuda e do cuidado de outras pessoas. Por isso, é importante que os pais aceitem essa nova condição de vida do seu filho, cuide dele, dê amor, carinho, procure ajuda de profissionais capacitados para aprender a lidar com a ostomia e se necessário procure ajuda psicológica. A criança ostomizada tem algumas limitações, mas ela pode estudar, brincar e realizar atividades como qualquer outra criança.

 Referências:
BARRETO LCL; CARDOSO MHCA; VILLAR MAM; GILBERT ACB. Percepções dos profissionais de uma unidade de internação pediátrica sobre a alta de crianças ostomizadas. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 set;29(3):438-45

BARREIRE, SIMONE G.; OLIVEIRA, OLCINEI A.; KAZAMA, WILMA; KIMURA, MIAKO; SANTOS VERA L. C. G. Qualidade de vida de crianças ostomizadas na ótica das crianças e das mães. Quality of life of children with stomas: the children and mothers' point of view. J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.1. Porto Alegre Jan./Feb. 2003.

CARVALHO, WANDINEY DE AFONSO FUSO DE. Estomas em Pediatria. Rev Estima - vol 1 (1) 2003 p. 16 – 23.

VALDES, ANILEME GÓMEZ; KAMADA, IVONE; CRISTO, ROSILANE DE CARVALHO. et al. Experiências de Crianças com Estomias: Estudo Qualitativo. Experiences Of Children With Ostomy: A Qualitative Study Las Experiencias De Los Niños Con Ostomías: Un Estudio Cualitativo. Rev Estima - vol 8 (3) 2010 p. 19 – 26.

POLETTO, DÉBORA; GONÇALVES, MARIANA ITAMARO; BARROS, MARINA TREVISAN DE TOLEDO; ANDERS, JANE CRISTINA
A CRIANÇA COM ESTOMA INTESTINAL E SUA FAMÍLIA: IMPLICAÇÕES
PARA O CUIDADO DE ENFERMAGEM. Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina

domingo, 18 de dezembro de 2011

Entrevista de Ana Cristina Rocha

Confiram a interessante entrevista de Ana Cristina Rocha no Boletim do Centro de Estudos Norma Gill, com o tema: Os desafios de "ser estomizada". Acesse o link:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Depoimento de Alessandra Guidon

Acompanhe a história vitoriosa de Alessandra Guidon!


Olá, meu nome é Alessandra, tenho 40 anos, sou portadora de Polipose Adenomatose Familiar.
Vou tentar resumir minha história:
Eu nunca tive dor, só sangue nas fezes, isso quando eu tinha mais ou menos 18 anos(não lembro bem).
Fui a vários médicos (5) mais ou menos, cada um falava uma coisa.
Encurtando...Marquei uma consulta em uma Clínica Cirurgica do Aparelho Digestivo. Fiz vários exames. Conclusão, o meu intestino grosso, parecia um tapete de pólipos. Eu tinha (e tenho ainda) no estômago também.
Bom, comecei a fazer exames com frequência, sempre tiravam alguns para biópsia, tanto do intestino, reto, como do estômago também.
E aí fui levando...casei, passei mal na lua de mel, me deu intoxicação alimentar. Tive que vir embora, fui direto para o Hospital, não aguentava de dor, alguns pólipos estavam inflamados, tinha muito sangramento. Fiquei internada uns 3 dias.
Ai foi passando o tempo. Sempre fazendo colonoscopia e endoscopia, fora outros exames.
Esses pólipos, começaram a virar adenomas com atipia moderada à severa.
Até que não teve mais jeito, tinha que fazer cirurgia, pois não tinha como esperar mais.
1ª Cirurgia: internei dia 13/05/97 - operei dia 14/05/97. Fiz uma Proctocolectomia total+bolsa ileal+anastomose íleo anal. Tempo cirurgico mais ou menos 8hrs. Fui para UTI, fiquei 3 dias. Depois fui para semi-intensiva.
Foi passando os dias, e eu comecei a passar muito mal, vomitava com frequência, era secreção biliosa. Conclusão, depois de 9 dias de operada, com muita dor, fui levada às pressas para o Centro Cirúrgico.
2ª Cirurgia: depois de 10 dias da 1ª, fui submetida a Laparotomia Exploradora+drenagem da cavidade+fechamento de fístula+ileostomia. Tempo cirurgico mais ou menos 5hrs. Fui para UTI, depois para semi-intensiva, até ir para casa da minha mãe e Aníbal, após 25 dias de Hospital.
No começo da ileostomia, foi horrível, não sabia a lidar com a bolsa, a minha pele ficou em carne-viva. Meu marido, minha mãe e o Aníbal, sempre comigo, não dormiam também. A bolsa não grudava na minha pele. Pois estava muito machucada.
Com o tempo fui acostumando, comecei a usar a bolsa certa.
3ª Cirurgia: internei dia 21/10/97 - operei dia 22/10/97. Fiz Fechamento da ileostomia. 9 dias de internação.
Olha amigas, não foi fácil, eu ia mais ou menos, umas 35 vezes no banheiro. Tudo que eu comia, ia embora, não dava tempo de chegar ao banheiro, fazia pelo caminho, meu marido ia limpando...
Cheguei a pesar 30kg, meu marido colocava um banquinho no banheiro para eu tomar banho, com medo de eu cair...
Eu não dormia, enquanto não esvaziava tudo.
Para se ter uma idéia, eu tomava 8 imosec por dia!, fora outros remédios para prender.
E assim foi...
Nesses anos que foi passando sem a ileostomia, eu fazia controle de 5cm de reto mais ou menos que tinha ficado, e fazia endoscopia também.
Eu cheguei várias vezes a ter que internar para tomar sangue, e hidratar, pois eu não comia nada praticamente.
Olha vocês podem não acreditar, mais o que me prendia era miojo, hoje eu não posso nm sentir o cheiro.Ha... ia esquecendo, eu comprava tantos que ganhei até um sorteio, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, hoje eu dou risada!
Bom foram 7 anos sem a bolsa. Eu já queria operar para colocar a bolsa de novo, aí juntou que começou a nascer adenomas com atipia severa, praticamente já estava virando carcinoma. Pronto lá vou eu para outro procedimento.
4ª Cirurgia: internei dia 12/09/2004 - operei dia 13/09/2004. fiz Amputação abdomino perineal+ileostomia definitiva. A cirurgia começou às 15:45hrs, acabou às 22:15hrs. Foram 21 dias de internação.
Dessa vez, me acostumei rápido, deu tudo certo.
5ª Cirurgia: internei dia 27/09/2006 - operei no mesmo dia. Mas dessa vez para retirada da vesicula. Fiz uma Colecistectomia com Colangio Convencional. Começou ás 15:15hrs até ás 18:00hrs. 3 dias de internação.
E é isso amigas e amigos, hoje continuo fazendo controle com endoscopia, pois eu tenho meus pólipos no estômago também.
Há pouco tempo, eu retirei uma lesão na 2ª porção do duodeno, já era pré-maligna. Mas graças a DEUS correu tudo bem.
Logo, logo vou fazer outra endoscopia para ver se não têm sinal de outra lesão, e assim vamos indo.
Depois desse breve relato, agradeço por tudo, primeiramente a DEUS NOSSO PAI MAIOR!
Eu agradeço também a todas as pessoas que estiveram ao meu lado. Não citarei nomes, para não pecar e esquecer de alguém.
Entretanto há algumas que eu gostaria de mencionar, pois fizeram e fazem ainda muito por mim.
Aníbal Giampietro Ribeiro(uma pessoa muito especial e querida), Vera Lúcia Pinto(minha querida mamãe, quanta saudades! Hoje está em outro plano). Eles estavam todos os dias no Hospital, em todas as cirurgias, em todas as internações. Nunca, jamais vou esquecer. Sempre me emociono, ao lembrar.
Ao meu querido marido Amauri, que sempre esteve ao meu lado, e está até hoje.
A minha irmã Claudia e meu cunhado Antonio Carlos.
Ao meu irmão, apesar que não estava presente, mas eu sei da fé que ele têm. QUE DEUS ABENÇOE.
A Silvana Maria Comegno(enfermeira ostomaterapeuta), me ajudou muito também.
Á minha querida médica e amiga Dra.Sandra Frugis, que a muitos anos me acompanha. Uma pessoa MARAVILHOSA, HUMANA E DEDICADA para com seus pacientes.
Dra.Sandra Frugis a senhora é muito especial para mim, eu a considero como se fosse da minha FAMÍLIA!
QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Depoimento de Mayra Oliveira

Acompanhem o emocionante depoimento de Mayra Oliveira, uma mulher guerreira e vitoriosa, que desde cedo teve que aprender a conviver com a ostomia!
Meu nome é Mayra, tenho 22 anos, sou Baiana e moro no Rio Grande do Norte há 11 anos. Quando tinha 16 anos, eu comecei, de repente, a ter diarréias freqüentes, e os médicos diziam que era verme, porém nada de eu melhorar.
Com quase 6 meses desse jeito, eu perdi 15 quilos, e começou a sair sangue nas evacuações, então procurei um "gastro", fiz uma colonoscopia e tive o diagnóstico: RCUI (Reto Colite Ulcerativa Intestinal).
A partir daí comecei um tratamento com mesacol, e com poucos dias tive apendicite. Mudei de medicamento várias vezes, mas nenhum deu certo. Até que um dia o meu Médico disse que eu teria que fazer uma cirurgia chamada Ostomia, ele me explicou tudo e eu claro com muito medo só queria ir pra casa chorar.
Foram 5 anos com a RCUI, mas a 2 deveria ter feito a cirurgia, fiz 5 colonoscopias até hoje. Esse ano tive a coragem de enfrentar a tal cirurgia, depois de ter pesquisado muito. Foi em fevereiro no dia 21, acordei na UTI, mas foi só por precaução dos médicos, não tive complicações, e fui pra enfermaria onde minha mãe estava me esperando ansiosa e preocupada.
Após 15 dias comecei a sentir muita dor, fizeram os exames e constataram uma grande infecção, tentaram drenar sem sucesso, e fiquei 2 meses internada sentindo muita dor. Um sofrimento que parecia não ter fim, e a única forma era reabrir a cirurgia para "limpar". Mas quando eu acordei dessa segunda cirurgia, tive retenção de líquido porque eu estava desnutrida. Eu estava tão inchada que não entrava mais nas minhas roupas. Ok isso também passou.
Fiquei 6 meses ostomizada e no dia 30 de Agosto fiz a reversão. Ah! essa foi bem mais tranqüila, tive alta e ainda estou em fase de adaptação. Agradeço muito aos Médicos por ter salvado a minha vida, as enfermeiras por terem cuidado de mim durante a fase pós-operatória, e a minha mãe que foi a única que esteve ao meu lado nesse momento tão difícil. Obrigada...