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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ostomia x Gravidez

A maternidade é um grande sonho para a maioria das mulheres, porém uma mulher ostomizada tem muito medo, dúvidas e receio de engravidar...e por isso é importante procurar seu médico durante o período pré-concepcional, para saber quais são as suas chances e riscos, além de receber informações específicas para que sejam detectados precocemente sinais e sintomas de complicações.

Algumas mulheres ostomizadas podem engravidar normalmente, outras não. Isso depende muito da doença que ocasionou a cirurgia e quais órgãos foram afetados.

Além das mudanças comuns da gravidez, a grávida com ostomia apresenta também mudanças em relação à auto-imagem, ao stress dos cuidados diários com estoma, e também a preocupação, pois se deve ter em conta que o crescimento do feto provoca distensão abdominal e que isso pode afetar o estoma. Como isso depende da realidade física de cada um, só um profissional médico pode responder precisamente a essa pergunta.


O acompanhamento nutricional de toda mulher, independente de ser ostomizada ou não, durante a assistência pré-natal é extremamente importante para a saúde do bebê e da mãe, pois durante a gestação, há necessidade adicional de energia por causa do crescimento do feto, da placenta, dos tecidos maternos, bem como para o próprio consumo da gestante. 


A grávida com ostomia deve ter uma alimentação variada, rica em nutrientes essenciais, e com a quantidade de calorias adequada à fase de desenvolvimento fetal, assim como qualquer outra mulher.

A restrição de energia nesse período pode ocasionar conseqüências negativas ao bebê, pois o crescimento fetal ótimo somente ocorre quando a gestante é capaz de acumular reservas corporais extras. Mas, também não pode exceder em calorias, pois o aumento de peso da mãe, não oferece bom peso para o bebê e ainda, pode trazer riscos para os dois, como por exemplo, a eclâmpsia, que é o aumento de pressão arterial, que coloca em risco a vida dos dois. 

A deficiência nutricional da gestante pode acarretar repercussões tanto no organismo materno (anemias, hemorragias, ganho de peso inadequado, parto prematuro, entre outros), como no recém nascido (redução de peso e estatura ao nascer, tendência a anemia e infecções, alterações no desenvolvimento motor, alterações visuais e, posteriormente, menor rendimento escolar). Portanto, o monitoramento do estado nutricional da gestante é de suma importância.

A gestante ostomizada, provavelmente, precisará de suplemento de ácido fólico e de vitaminas devido à maior dificuldade de absorção dos nutrientes.

O ácido fólico ou folacina é uma vitamina que trabalha na formação de nossos genes, essenciais para a divisão celular e ainda na formação de células sanguíneas na medula óssea. Na gravidez, é especialmente importante na formação do tubo neural do feto, e sua deficiência pode resultar em má formação neural.

Está presente no fígado, feijões, vegetais verde-escuro (especialmente espinafre, aspargo e brócolis frescos), carnes magras e pão de trigo integral.

Vale ressaltar que os vegetais verde-escuro possuem grandes quantidades de ácido fólico, entretanto devem ser consumidos frescos e in natura, pois o armazenamento, a forma de preparo doméstico ou o processamento destes pode ocasionar grandes perdas deste nutriente.

Algumas dicas de alimentação na gravidez de uma mulher ostomizada:
• Beber líquidos constantemente, de 2 a 2,5 litros por dia. Isto ajuda a combater os inchaços muito comuns na gravidez e evita a desidratação; 
• Consumir pelo menos três frutas por dia, além de legumes e verduras no almoço e jantar. Esses alimentos são ricos em fibras, que previnem a prisão de ventre, muito comum na gestação. Não se esquecer de mastigar bem os alimentos! 
• Fracionar as refeições em cinco ou seis vezes ao dia, com pequenas quantidades, e mastigar devagar.
• Consumir alimentos com baixo teor de gordura e evitar ingerir líquidos durante as refeições, para facilitar a digestão e evitar azia.
• Evitar o consumo de adoçantes durante a gravidez, exceto quando prescrito por nutricionista ou médico.

O que fazer quando:

Apresentar náuseas:
-fracionamento adequado da dieta (5 a 6 refeições diárias);
-refeições constituídas por alimentos a base de carboidratos, como cereais cozidos, torradas, biscoitos simples, batata cozida, estes alimentos tem uma digestão fácil, fornecem energia e não sobrecarregam o estômago;
-a restrição de líquidos de 1 a 2 horas antes e após as refeições, ajuda a aliviar as náuseas e vômitos freqüentes neste período;
-Comer algum alimento a cada duas horas, sempre em pequenas porções – muitas horas em jejum é um dos fatores que aumentam o enjôo;
-Evite odores fortes, comida gordurosa e temperos fortes – estes alimentos têm uma digestão mais lenta podendo sobrecarregar o estômago e deixar a sensação de estômago cheio, desconfortável;
-A intolerância a leite e carnes é muito comum. Como estes alimentos são as principais fontes de proteínas, cálcio e ferro, é importante estar atenta e optar por outros alimentos fontes de proteínas: ovos, iogurte, queijos, leguminosas, peixes e frango;
-Não consuma álcool – além de prejudicar a formação do bebê, pode dificultar o trabalho do estômago;
-Não abuse do café – além de atrapalhar o sono se consumido em quantidades elevadas, pode promover mais enjôo;
-Adicionar limão na água ou em chás e beber durante o dia pode ajudar a diminuir os enjôos;
-Limonada sem açúcar e bebidas frias e ácidas ajudam a diminuir o enjôo;
-Evite deitar após as refeições.
Se ocorrerem mais de um episódio de vômitos ou tiver sinais de desidratação, tais como urina muito concentrada e boca seca, a grávida deve comunicar a equipe de saúde, pois uma pessoa ostomizada perde cerca de 500 a 750 ml de líquidos por dia, enquanto uma pessoa que não é ostomizada perde cerca de 100 a 200 ml de líquidos por dia.

Apresentar azia: ingerir os alimentos em pequenas porções e mastigar lentamente. O tratamento nutricional está ainda relacionado à prática de dieta fracionada e à diminuição de alimentos gordurosos, frituras, café, chá, pimenta e condimentos em geral. O fato de não se deitar após as refeições e elevar a cabeceira da cama também são positivas para evitar o problema.

Apresentar Constipação: incluir na dieta frutas frescas, cereais integrais e hortaliças cruas. O consumo adequado de água também é muito importante, e por isso sugere-se um consumo médio de dois litros a 2 e meio por dia. Lembrar-se de mastigar bem os alimentos!

Apresentar muitos gases: Geralmente os gases intestinais são causados pelo ar que é deglutido (engolido), bebidas gaseificadas e ação das bactérias sobre a comida indigesta!

A grávida com ostomia pode ter uma experiência de gravidez, parto e pós-parto normal.

 

Referências
1 Aukamp V, Sredl D. Collaborative care management for a pregnant woman with an ostomy. Complement Ther Nurs Midwifery. 2004 Feb; 10 (1): 5-12.

 

2 BARKER, D.J.P. Fetal origins of coronary heart disease. BMJ, v 311, n 171, 1995.

 

3 Dietary Reference Intake: Application in Dietary Assessment. Institute of Medicine (IOM) [online] 2001 [cited 20-9-2001].

 

4 Diniz LEV. Nutrição e gravidez. In: Zugaib BM, Sancrovski M. O pré-natal. Rio de Janeiro: Atheneu; 1994. p.71-6.

 

5 GOULART, R.M.M., BRICARELLO, L.P. Aspectos nutricionais na gravidez. Rev Bras Med, v 57, p 12-17, 2000.

 

6 Gutierrez Y, King JC. Nutrition during teenage pregnancy. Pediatr Ann 1993; 22(2):99-108.          

 

7 JEWEL, I.D., YOUNG, G. Interventions for nausea and vomiting in early pregnancy. Cochrane Database Syst Rev, v 1, p 145, 2002. 
KRAUSE. 
Alimentos, nutrição & dietoterapia.11 ed. São Paulo. Roca. 2005. 

 

8 Mikode MS, White AA. Dietary assessment of middle-income pregnant women during the first, second, and third trimesters. J Am Diet Assoc 1994; 94(2):196-99. 

9 NASCIMENTO, A., SOUZA, S. B. Avaliação da dieta de gestante com sobrepeso.Rev. Nutri, v 15, n2, p173-79, 2002.


10 Neuhouser MLS. Nutrition during pregnancy and lactation. In: Mahan LK, Escott-Stump S. Krause's food, nutrition, and diet therapy. Philadelphia: W.B. Saunders; 1996.

11 RAINVILLE, A. Pica practices of pregnant women are associated with lower maternal hemoglobin level at delivery. J Am Diet Assoc, v 98, p 293, 1998.

 

12 SILVA, L.S.V., THIAPÓ, A.P., SOUZA, G.G., SAUNDERS, C., RAMALHO, A. Micronutrientes na gestação e lactação. Rev Bras Saúde Matern Infant, v 7, n 3, p 237-44, 2007.


13 Sredl D, Aukamp V. Evidence-based nursing care management for the pregnant woman with an ostomy. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2006 Jan-Feb; 33 (1):42-9.

 

14 Williams SR. Orientação nutricional na assistência pré-natal. In: Worthington-Roberts BS, Vemeerchi J, Williams SR. Nutrição na gravidez e lactação. Rio de Janeiro: Interamericana; 1986. p.105-35. 
p.181-201.          

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Depoimento de uma menina SUPER PODEROSA!


Acompanhem o lindo depoimento de Célia Castro que, enfrentou um câncer na bexiga, teve sua morte declarada em 1994, porém, sacudiu a poeira, deu a volta por cima, e renasceu em 2010!!!


COMO ESQUECER UMA DATA QUE MARCA PARA SEMPRE NOSSAS VIDAS?
O DIA NÃO É TÃO IMPORTANTE, QUASE NÃO ME LEMBRO, POIS FORAM TANTOS IGUAIS, QUE O MÊS SE TORNOU UM SÓ.
MÊS DE MAIO, INTERESSANTE QUE NORMALMENTE ESTE MÊS SE COMEMORAM DATAS ALEGRES, COMO DIA DAS MÃES, NOIVAS GOSTAM DE SE CASAR NESTE MÊS, AINDA NÃO ENTENDI PORQUE, MAS TUDO BEM. NUM DESTES DIAS DO MÊS DE MAIO, MINHA FAMÍLIA FOI CONVIDADA PARA UMA REUNIÃO FAMILIAR COM A EQUIPE DE UROLOGIA DO HC DE MARÍLIA
PARA MOSTRAR MEUS EXAMES, CLARO QUE NÃO ME CONVIDARAM,  ELES JÁ TINHAM ME APRESENTADO UM TAL DE ADENOCARCINOMA QUE PARA SIMPLIFICAR UM CÂNCER MALIGNO NA BEXIGA. ANO 1994, EU TINHA SÓ 35 ANOS, COM MEUS DOIS FILHOS PEQUENOS,
EU CHORAVA MUITO, NÃO PORQUE OS MÉDICOS DISSERAM QUE IRIAM ABRIR E DEPENDENDO DO QUE ENCONTRASSEM NADA IRIAM FAZER, MAS CHORAVA PORQUE EU NÃO IRIA VER MEUS FILHOS CRESCEREM, MEU DEUS O QUE SERIA DELES???
MINHA FAMÍLIA FICOU SEM CHÃO. ERGUI A CABEÇA, NÃO QUIS CONSOLO, EU CONSOLEI MEU MARIDO E MEUS PAIS, MAS POR DENTRO EU ESTAVA ACABADA. CIRURGIA MARCADA E REALIZADA, TIRARAM MINHA BEXIGA, IMPLANTARAM MEUS RINS NO MEU INTESTINO, DECLARARAM A MINHA MORTE. 25 DIAS APÓS VEIO A ALTA HOSPITALAR, BOA NOTICIA?, SIM O TUMOR TINHA SE ALOJADO SOMENTE NA BEXIGA, SEM PROBLEMAS MAIORES, ASSIM TODOS PENSARAM.
QUANDO EU DISSE QUE DECLARARAM MINHA MORTE, ISTO FOI FATO, POIS A PARTIR DESTE MÊS, NUNCA MAIS FUI A MESMA PESSOA, NADA  MAIS EU PODIA FAZER, NÃO SAIA DE CASA, NÃO ME DIVERTIA MAIS, COMO SAIR?, SE ANDASSE CEM METROS PRECISAVA URGENTE DE UM BANHEIRO, SIM PORQUE O INTESTINO RECEBIA TODA URINA SAÍDA DOS RINS, COMO ELE NÃO SERVE DE RESERVATÓRIO, TINHA PRATICAMENTE SAÍDA LIVRE, E PIOR URINA JUNTO COM FEZES. ESTA ERA MINHA MORTE. COM O PASSAR DO TEMPO, COMO ERA DE SE ESPERAR, VIERAM AS COMPLICAÇÕES, COMEÇOU DE NOVO UMA NOVA ETAPA, INFECÇÕES REPETITIVAS NOS RINS, POR ELE ESTAR LIGADO EM LUGAR CONTAMINADO POR MILHÕES DE BACTÉRIAS,  UMA SEMANA INTERNADA, TRÊS SEMANAS COM ANTIBIÓTICO EM CASA, NEM BEM TERMINAVA O TRATAMENTO EM CASA, LÁ ESTAVA EU INTERNADA NOVAMENTE, POR CONTA DESTAS INFECÇÕES, FUI PERDENDO A CAPACIDADE DOS RINS, A PONTO DE UM SÓ FUNCIONAR COM 65%. ATÉ QUE INSISTENTEMENTE, FIZ COM QUE O MÉDICO, ME COLOCASSE  O ESTOMA, COM MUITA DIFICULDADE, CONSEGUI CONVENCÊ-LO. CIRURGIA MARCADA, INTERNADA  E REALIZADA, AGORA JÁ COM COMPLICAÇÕES, MAS TERMINADA COM MUITO SOFRIMENTO, E COINCIDÊNCIA OU NÃO, MORTE EM MAIO DE 1994 - VIDA EM  MAIO DE 2010, PRA FINALIZAR RIM QUE HÁ 16 ANOS ESTAVA PARADO, VOLTOU A FUNCIONAR, ISTO OS MÉDICOS NUNCA PREVIRAM.  MAS EU CONHECO O DEUS QUE ME CUIDA!!! E HOJE INSISTO EM DIZER UMA FRASE QUE NEM SEI COMO SURGIU EM MINHA MENTE, MAS A USO COM FREQUÊNCIA: "SER OSTOMIZADA E NÃO TER VERGONHA DE SER FELIZ! " HOJE SAIO DE CASA,  VIAJO, AJUDEI A FUNDAR A ASSOCIAÇÃO DOS OSTOMIZADOS DE MARÍLIA E REGIÃO, ONDE  SOU VICE- PRESIDENTE, INTERAJO COM MUITAS PESSOAS OSTOMIZADAS OU NÃO, POIS ALÉM DESTA OCUPAÇÃO FAÇO UM TRABALHO VOLUNTÁRIO NUMA ESCOLA PÚBLICA, MEUS FILHOS CRESCERAM, CASARAM-SE E ME DERAM LINDOS NETOS, E PRA TERMINAR DIGO QUE SACUDI A POEIRA  E DEI VOLTA POR CIMA, E AQUI ESTOU ME ACHANDO MENINA SUPER PODEROSA!!!  

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Atividade física X Ostomia

A atividade física melhora a condição psicológica de quem tem algum tipo de deficiência e é uma forma de inclusão social. Inclusão é respeitar as diferenças individuais, considerar valores e expectativas de cada um independente da sua condição física.

O importante é se soltar, para trazer benefícios à saúde do corpo. Inclusão não é só deixar o deficiente praticar atividade física, mas sim preparar as pessoas para recebê-lo. Não é apenas avisar os funcionários de que agora existe um deficiente no local, mas sim saber que ele tem potencial.

A atividade física promove a reintegração social e auxilia na superação de barreira das pessoas ostomizadas, levando o indivíduo a descobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma vida normal e saudável.

O esporte gera muitas alterações comportamentais, morais, éticas e sócio afetivas, pois mostra que a ostomia não é sinônimo de incapacidade. Portanto, abraçar uma atividade física pode transformar o dia-a-dia de uma pessoa ostomizada, e ainda fazer bem para a saúde do corpo e da mente.

Os benefícios físicos da atividade são: Agilidade, equilíbrio, força muscular, coordenação motora, resistência física, melhora das condições organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestório, reprodutor e excretor), velocidade, ritmo, possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição, promoção e encorajamento do movimento, desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais para melhor realização das atividades de vida diária, entre outros.

E os benefícios psicológicos são: melhora da auto-estima, aumenta a integração social, redução da agressividade, estímulo à independência e autonomia, experiência com as possibilidades, potencialidades e limitações, vivência de situações de sucesso e de frustração, motivação para atividades futuras, desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas, entre outros.

É imprescindível respeitar as limitações, adequando modalidades e objetivos pessoais. Além de ser necessário respeitar todas as normas de segurança, evitando acidentes e o mais importante, estimular sempre o desenvolvimento da potencialidade individual.

Não podemos nos esquecer de que depois da cirurgia, cada pessoa recupera-se de forma diferente, então o retorno à prática esportiva dependerá da cicatrização.

Procure fazer exercícios que você goste, porém antes converse com o seu médico e educador físico.

A ostomia não deve impedir uma pessoa de praticar atividades físicas, com exceção de esportes de contato extremamente pesado, como: lutas marciais, basquete, vôlei, futebol, etc, tendo-se em vista a possibilidade de traumas na região do estoma; e de levantamentos de grandes pesos, para prevenção de hérnia. As práticas esportivas que exijam esforço da região abdominal também devem ser avaliadas por um profissional da área da médica.

E no período pós-operatório a distensão abdominal deve ser evitada para que não ocorra a retração do estoma.

Durante a prática esportiva é recomendável a utilização de um cinto ou cinta para manter a bolsa mais segura.

A prática da natação e hidroginástica pode ser feita sem nenhuma restrição, pois a bolsa e a placa são impermeáveis à água. É importante lembrar-se de que antes de nadar deve-se esvaziar a bolsa. As mulheres devem usar um maio peça única e os homens uma camiseta para evitar olhares e comentários a respeito da bolsa de colo/íleostomia.

 Referências:







sábado, 22 de outubro de 2011

Lindo depoimento de Rose Souza

Rose Souza, mulher guerreira e vitoriosa, ficou ostomizada por causa de um câncer no reto e nem por isso deixou de ser feliz...ela determinou que continuaria vivendo e fazendo tudo o que fazia antes da cirurgia...trabalhando, indo à academia, viajando...e que aproveitaria muito a vida e seria muito feliz!!! Acompanhe o seu lindo depoimento!!! 




Olá meu nome é Rose, fui convidada pela querida amiga Christiane para deixar aqui meu depoimento.
Gostaria de compartilhar um pouco do que tenho vivido desde que descobri que estava com câncer.
Laudo médico: câncer no reto
Minha reação ao receber o diagnóstico: Era como se estivesse recebendo minha sentença de morte. 
Quando o médico falou que  eu poderia fazer uma ostomia, e que essa ostomia poderia ser definitiva, foi um choque muito grande, pois não  tinha noção de como seria minha vida a partir daquele momento.
Pensei porque comigo? Sempre tive muito medo dessa doença não pronunciava  nem o nome  da mesma.
Durante todo o processo da  enfermidade, busquei diversas informações sobre o assunto na internet para me ajudar a enfrentar a doença, encontrei muitas amigas com o mesmo problema, me senti bem melhor, em compartilhar com elas aquele momento tão doloroso.
Minha família foi meu porto seguro, foram insubstituíveis, na minha luta, sem eles não conseguiria, minha família fez a diferença na minha luta.
Tudo começou assim... Meu cunhado diagnosticado com um câncer no sistema linfático ou linfoma, isso deixou eu e minha família, muito assustada, minha irmã recém-casada, travou uma luta muito grande e muito assustadora contra o linfoma do meu cunhado, minha maninha praticamente mudou para o hospital. Sofremos muito com o diagnostico, mas o que posso afirma que A LUTA FOI VENCIDA graças a Deus, ELE foi CURADO. Quando meu cunhado recebia alta no hospital eu recebia o diagnostico do meu médico que estaria com câncer no reto, fiquei apavorada, chorei muitooo. Para que todos saibam o que eu senti para uma atual prevenção foi: muitas dores nas pernas, desanimo total, eu trabalhava sentada, pensei que seria por esse motivo, mas depois meu intestino que sempre funcionava normal, travou, tomava laxantes e nada, foi ai que marquei uma consulta com um proctologista , fiz  vários exames, quando fui diagnosticada com câncer vi MEUS SONHOS acabados, me DESESPEREI, aquela notícia foi meio que BOMBASTÍCA em minha vida e de minha família, foram momentos difíceis. Eu tive fé em DEUS, fui forte e segui todas as orientações dos médicos, e com o apoio que recebi dos familiares e dos amigos, encarei o problema com coragem e FÉ  por saber que para Deus Tudo é possível. Hoje levo uma vida super saudável,  estou muito feliz e grata ao Senhor DEUS pela vitória maravilhosa. No início o câncer assustou muito, mas isto não significa sempre sofrimento e dor. Foi preciso saber lidar com a situação e ter força, mesmo que isso parecesse  impossível. Eu resolvi ir à luta, não se pode ficar chorando o tempo todo, mesmo quando se tem câncer. Resolvi que iria vencer esta batalha. Orei pedindo a Deus forças, e Ele respondeu minha oração. As palavras de ordem para quem esta nesta situação são:  Fé, Força, Coragem, Determinação e muito, muito bom humor por que a vida é bela mesmo estando nesta luta. Fiz quimioterapia, as radioterapias, submeteram-me a cirurgia dolorosa... Fiquei algumas vezes triste, mas  nunca me deixei abater. Queria deixar aqui um apelo para que todos façam exames periodicamente! Alerto que o pior de tudo é o medo! Medo de descobrir a doença. Mas saibam que uma vez diagnosticada prematuramente, a cura é total! Então, não deixem que o medo impere em suas vidas, pois para Deus, tudo é possível!  Tenha fé em DEUS, não desista, pois cada dia é um novo dia repleto de novidades e só as conheceremos ou as veremos se estivermos dispostos a enfrentar o câncer com a vontade de viver e viver uma vida plena e abundante. Coragem para dizer ao câncer que ele é e sempre será apenas uma palavra.
Bom, quanto à ostomia, no primeiro momento provocou mudanças no estilo de minha vida, mas depois tudo se normalizou! A ostomia não me impediu de fazer nada, vou à praia, faço hidroginástica, musculação, aeróbica.... enfim faço de tudo. Mas eu que determinei que minha vida seria assim....descobri que ninguém é perfeito, e devemos respeitar as diferenças, isso é amar as pessoas como elas são. Ter uma Ostomia é ser NORMAL é NATURAL ... As diferenças das pessoas estão no preconceito, caráter, no egoísmo, inveja, superioridade, materialismo, no jeito que se trata as pessoas, nos sentimentos que se tem e como enfrentar a vida e na falta de amor pelo próximo.
Neste mundo não existe nenhum ser humano completo e perfeito.

Momentos felizes, louve a Deus. 
Momentos dolorosos, confie em Deus. 
Cada momento, agradeça a Deus. 






sábado, 15 de outubro de 2011

A companhia de parentes e amigos é essencial para a qualidade de vida do ostomizado!

Pensar em qualidade de vida leva a refletir sobre tudo aquilo que se relaciona com o grau de satisfação, felicidade e bem-estar.

Quando o diagnóstico do paciente apresenta necessidade de se realizar ostomia, acende-se uma luz vermelha e os sentimentos confusos, de medo, ansiedade, vergonha, rejeição...podem tomar conta, tanto do paciente quanto dos familiares. É nessa hora que todos precisam parar e respirar, para conseguir ponderar as medidas que serão necessárias e principalmente entender a doença, o tratamento, a cirurgia e os efeitos colaterais (no caso de tratamento com quimioterapia).

Nessa fase o paciente precisa de todo apoio dos familiares, amigos e médicos. Uma relação aberta com as pessoas mais próximas facilita a readaptação no estilo de vida. Além disso, compartilhar os anseios e sentimentos ajuda a reorganizar as idéias e mantém o psicológico forte, o que facilita a aceitação e adesão ao tratamento e à cirurgia de ostomia.

Muitas vezes, neste momento, o paciente deixa de lado o lazer e se fecha em seu mundo. Porém, o lazer é muito importante para o bem-estar físico e psíquico do ser humano, não só como fonte de prazer, mas, inclusive, para a criação e manutenção de relações sociais.

A vida cotidiana pode ser vivida normalmente pela pessoa portadora de ostomia, às vezes, com algumas restrições. Embora a condição imponha algumas limitações às atividades diárias, com a ajuda de familiares, é possível a pessoa com ostomia ter qualidade de vida. Porém, essa qualidade está fundamentada nas características pessoais, sociais e culturais da pessoa e de sua família.

É fundamental compreender as modificações que ocorrem na vida da pessoa que vive com ostomia e como ela vivencia todo este processo, para prestar um apoio mais efetivo. Com o passar do tempo a pessoa ostomizada desenvolve estratégias de enfrentamento, com as quais passa a lidar em relação aos problemas ou às alterações cotidianas ocorridas em função da ostomia.

Percebe-se que muitas vezes não há alteração em relação às atividades de lazer que são consideradas passivas, como por exemplo, cinema, TV, leituras entre outras. Porém, no que se referem às atividades consideradas “ativas”, como viajar, realizar algum tipo de esporte, o mesmo não acontece. As razões para tais restrições prendem-se com a insegurança derivada da qualidade dos dispositivos, problemas físicos, dificuldades em higienizar a bolsa, vergonha e medo de problemas gastrintestinais.

O incentivo da família e dos amigos para que o ostomizado retorne logo a sua vida social é essencial para melhorar a sua qualidade de vida, além disso, aproveitar o tempo com atividades em família e com amigos pode fazer toda a diferença durante o processo de tratamento e adaptação.

Algumas dicas podem ser úteis para aproximar a família, os amigos e a pessoa que precisa de carinho e atenção especial durante o tratamento e a fase de adaptação: Atividades ao ar livre (caminhadas leves, piquenique...o contato com a natureza e o ar puro pode ser revitalizante), passeios culturais (cinema, teatro, museu são excelentes opções para distrair), jogos de tabuleiro (xadrez, jogos de estratégia...são excelentes por estimularem o raciocínio).

Referências:

BARREIRE ,Simone G., OLIVEIRA, Olcinei A., KAZAMA, Wilma, Miako, KIMURA, SANTOS, Vera L.C.G.. Qualidade de vida de crianças ostomizadas na ótica das crianças e das mães. J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2003

 

BELLATO, Roseney, MARUYAMA, Sonia Ayako Tao, SILVA, Carla de Moraes, CASTRO, Phaedra. A condição crônica ostomia e as repercussões que traz
para a vida da pessoa e sua família. Cienc Cuid Saude 2007 Jan/Mar;6(1):40-50.

CASCAIS, Ana Filipa Marques Vieira, MARTINI, Jussara Gue, ALMEIDA, Paulo Jorge dos Santos. O impacto da ostomia no processo de viver humano. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2007 Jan-Mar; 16(1): 163-7.

RNIERI, André; CAVALCANTI, Bruno; CARVALHO, Mariane. Como aproveitar mais a família. Giro na medicina simples olhar. N.1. 2011 fev. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Um lindo depoimento

Muitas vezes, por pequenos motivos, reclamamos da nossa vida, ficamos desanimados, ou até achamos que a nossa vida acabou, mas algumas pessoas nos mostram como superar os desafios, lutar pela vida,  e ser mais feliz após a realização da ostomia. Acompanhe o depoimento da Juliana.



Em 2001 me foi “apresentada” a reto colite ulcerativa... Na época tinha 21 anos, e confesso que não dei muita importância ao fato, só queria que aquele pequeno sangramento durante as evacuações acabassem.
E assim aconteceu durante 8 anos, pequenos sangramentos, constipação, tomava a medicação, e logo melhorava.
Mas foi em abril de 2009, que os sinais e sintomas da doença realmente se manifestaram, diarréia intensa, perda de peso, sangramento... mas dessa vez custou a melhorar, fiquei mais ou menos 2 meses pra me recuperar.
Mas em outubro desse mesmo ano, em uma inesquecível manhã do dia 30, acordei com uma cólica que eu nem consigo explicar a intensidade daquela dor, fui para o hospital e fui internada... e foi aí que tudo começou:
Depois de 4 dias fui para UTI... com hemorragia grave, infecção, pneumonia, foram quase 50 dias... eu não me reconhecia mais, abdome muito distendido, fiquei muito inchada por causa dos corticóides, sem alimentação V.O. (via oral), parecia que era uma situação que não tinha fim... até aquele momento, por 2 vezes meus familiares foram preparados pelos médicos que poderia acontecer o pior... quase me perderam por causa de uma pneumonia, fiquei entubada por uns 3 dias, foi “punk”... além do proctologista me acompanhando, tinha um infectologista, gastro, nutricionista, fisioterapia respiratória, tive que praticamente reaprender a andar, porque fiquei muitos dias deitada, enfim... tratamento multidisciplinar.
Mas não acabou por aí, quando todo mundo achava que eu estava me recuperando, de repente piorei, tive que ir às pressas para o centro cirúrgico. Aquele dia confesso que eu estava esgotada de tudo que estava acontecendo... pedi pra Deus que me levasse e acabasse com toda aquela situação... Mal sabia que depois de tudo aquilo é que viria a grande lição da minha vida... e por mais uma vez, minha vida foi definitivamente entregue nas mão de Deus. E enfim fui apresentada ao “tal” estoma, a bolsa de ileostomia, fui submetida a uma colectomia total, eu nem sabia que tudo isso existia, foi um choque, eu estava tão despreparada pra tudo aquilo.
Mas foi surpreendente a minha recuperação... depois da cirurgia comecei a melhorar, e depois de uns 15 dias tive alta.
Depois de 20 dias da cirurgia eu já estava trabalhando novamente; com 30 dias eu estava na praia, com 45 dias na academia (meu médico que não leia isso!!!), ou seja, Deus tampou seus ouvidos quando eu pedi aquele absurdo pra Ele, e no entanto me deu uma força de superação que eu nem imaginava que existia dentro de mim... saí daquele hospital com sede de vida... de aproveitar minuto a minuto!!!
Hoje depois de quase  2 anos, continuo muito bem, vivendo uma vida normal e sem limitações, meu médico já me “liberou” a uns 7 meses para fazer a primeira etapa da reconstrução ( a bolsa ileal em J)... mas estou esperando a coragem aparecer pra encarar mais esse desafio.
É importantíssimo eu comentar sobre o apoio que eu tive nessa minha experiência... meus pais maravilhosos, que pararam de viver a vida deles pra ficar ao meu lado naquele momento, meus irmãos e amigos, aos meus médicos ( Dr. Desidério e equipe do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos) e em especial ao meu MARIDO... ali ele mostrou o significado do que é o amor, do companheirismo, do que é amar o interior independente do que está por fora... aqueles joelhos calejaram de tanta oração!!!
Hoje sou uma pessoa muito melhor... E vivo minha condição de ostomizada sem fronteiras!!!

Obs: Eu mandei essa foto porque ela tem um significado especial... antes da minha internação eu e meu esposo estávamos programando essa viagem... era um sonho conhecer esse lugar... e quando eu estava lá na UTI meu marido me levou uma revista mostrando sobre o lugar, pra que eu planejasse nossa viagem... foi num período que eu estava muito mal... eu tinha dúvida se isso realmente seria possível... mas foi!!! E aí está meu símbolo da vitória... Cancún com direito a marquinha de biquini e tudo mais!!!